Caro leitor do Cultura de Dj, mais de 12 meses se passaram desde a última publicação e confesso que tinha saudades de poder comunicar com esta maravilhosa comunidade que me acompanhou durante mais de 3 belíssimos anos. Ainda não é desta vez que anuncio a volta do Cultura de Dj. Desde que o projecto foi suspenso, não existiu evolução em relação à realidade de 2014. Os apoios continuam a ser inexistentes e sem eles é impossível conseguir sustentar o projecto.
Desde Fevereiro de 2014, altura em que o Cultura de Dj cessou as suas actividades, a minha carreira deu uma volta de 180º. Trabalho desde essa altura como Coach e Mentor Profissional, Palestrante e Autor. Durante o primeiro ano completei 4 certificações internacionais (Coaching, Mentoring e Holomentoring / Programação Neuro-Linguística / Hipnoterapia / Lei da Atracção), escrevi e publiquei 8 livros, completei mais de 800 horas em sessões privadas, tornei-me colunista da Inspire Saúde (MSN Portugal) e da Zen Energy e confesso que nunca me senti tão realizado profissionalmente.
Durante esse mesmo período, foram mais de 2 centenas de mensagens e e-mail's de leitores do Cultura de Dj a solicitar ajuda ou opinião em relação a software e equipamentos. Todos esses contactos foram devidamente respondidos e foi com imenso prazer que ajudei cada uma dessas pessoas.
O mês de Abril de 2015 foi um mês muito especial para mim. Foi o mês que lancei o meu primeiro curso 100% online onde os alunos têm acesso a todos os conteúdos de forma ilimitada e vitalícia. Este curso "A Matriz do Sucesso" funciona como um programa de Coaching (Treinamento) voltado para o sucesso pessoal e/ou profissional. É um passo-a-passo para quem deseja conquistar a vida que sempre desejou.
Neste curso partilho com os alunos todas as técnicas que utilizei nos meus projectos e que permitiram que cada um deles pudesse tornar-se referência nas suas áreas. E pergunta o leitor: E o que este curso pode oferecer a um Dj? E eu respondo: Tudo! Na vida, todos nós temos sonhos, desejos e ideias que gostaríamos de conquistar. No caso dos leitores, poderá ser comprar um equipamento de sonho, tornar-se um profissional reconhecido, ganhar um bom cachet por cada trabalho, ser um empresário na área do entertenimento de sucesso, etc. Todos nós temos algo que desejamos e os dj's sejam eles iniciantes, intermediários ou profissionais têm muitos sonhos que desejam materializar.
Este curso ensina qual o caminho necessário para conquistar esses sonhos, mesmo que neste momento eles possam parecer distantes. Com esta fórmula eu consegui e continuo a conseguir conquistar tudo o que mais desejo em todas as àreas da minha vida. Muitos Dj's acreditam que na carreira, apenas os cursos de Dj são importantes. Por experiência própria eu posso garantir que a parte técnica é apenas uma parte do sucesso. Se o profissional não souber definir um foco e trabalhar para que ele se possa tornar realidade, a parte técnica não irá ter relevância alguma. Um bom profissional que não seja contratado é um talento desperdiçado e com este curso é possível mudar essa situação.
A vantagem do curso é que ele funciona para qualquer área da vida. Segundo o que alguns alunos testemunharam, este pode ser o melhor investimento que irá fazer na sua vida e eu concordo. Quando aprendemos a treinar os nossos pensamentos, palavras e acções rumo ao sucesso, "o céu é o limite".
O melhor de tudo é que você pode acompanhar as mais de 80 aulas e 9 horas de conteúdo por computador, tablet ou smartphone. Você pode finalmente rentabilizar todos os momentos do seu dia, trabalhando para conquistar todos os seus sonhos.
E qual o valor do investimento? Pois bem, este curso está avaliado em mais de 500 dólares e mesmo assim é um valor muito baixo para aquilo que oferece. Consciente de que a minha intenção é ajudar o maior número de pessoas a transformar as suas vidas, lancei o curso por apenas 100 dólares. Mas agora vem a melhor parte: Todos os leitores do Cultura de Dj, terão acesso ao curso e ao livro digital "A Matriz do Sucesso" como bónus com condições especiais! Infelizmente não posso divulgar no blog qual o valor do investimento para os leitores do Cultura de Dj, então peço que me enviem um e-mail para: marketing.luisalves@gmail.com ou usem o formulário de contacto do blog, e solicitem o vosso link de acesso exclusivo.
Irei responder individualmente a cada um de vocês e oferecer uma oportunidade única para que comecem hoje mesmo a trabalhar na conquista dos vossos sonhos.
TODD TERRY
Falar de Todd Terry é falar sobre as raízes da House Music. Se muitos consideram Tony Humphries o "pai" da House Music, certamente Todd Terry poderá ser considerado seu "filho". Ele é responsável pela produção dos maiores hinos da música de dança de todos os tempos. Poderíamos falar dos temas de exito como "Something Goin' On" e "Keep on Jumpin'" mas, a verdade é que ao longo da sua carreira que começou nos anos 80 podemos encontrar uma herança cultural extremamente rica e que resulta na popularização da música Eletrônica presente nos dias de hoje. Prova do talento de Todd Terry é por exemplo o sucesso do tema "Missing" dos Everyting About the Girl, tema lançado pelo grupo de 1994 sem grande sucesso no mercado até que em 1995 Todd Terry faz o remix do tema e ele torna-se um dos maiores temas do House até aos dias de hoje tendo projetado o projeto internacionalmente. Todd Terry já emprestou o seu talento a artistas globais como Snap, Annie Lennox, George Michael, Bjork, Garbage, The Cardigans, 10.000 Maniacs, Jamiroquai, The Lightning Seeds, Robin S entre muitos outros. Dotados de um groove magnífico, todos os temas de Todd Terry mostram as raízes puras da House Music combinando elementos "Old School", batidas impactantes, vozes com personalidade e trechos de baixo e piano que não deixam o público indiferente. Com a volta dos elementos mais puristas nas pistas de todo mundo o som de Todd Terry volta a marcar diferença cativando toda a geração do novo público "clubber". Acompanhe agora a breve entrevista que Todd Terry concedeu com exclusividade ao Cultura de Dj.
ENTREVISTA
CDJ - Todd, você começou a sua carreira de Dj nos anos 80 com uma fusão especial entre o Disco, os sons de Chicago e o Hip Hop. Quais foram as suas motivações iniciais como Dj profissional?
TT - Na altura o que me motivava era poder produzir mais do que ser um Dj.
CDJ - Alguns dos seus temas como produtor ainda são hoje considerados por hinos culturais da House Music como "Something Goin' On" e "Keep on Jumpin'". Qual foi o tema que produziu que mudou a sua carreira?
TT - O tema dos Black Riot "A Day in The Life" foi a melodia mais icônica que surgiu na carreira pela possibilidade de pegar aquele groove do piano e poder trabalhá-lo diretamente juntamente com a batida.
CDJ - Em relação à sua inspiração, quais foram os estilos musicais que ouvia nos anos 80 e 90 que tornaram o seu som tão especial e único?
TT - O Hip Hop sempre me inspirou mas o meu objetivo era torná-lo "funky". Outras produções que sempre me inspiraram foram os temas do Quincy Jones e do James Brown.
CDJ - Além de seus temas próprios também realizou várias parcerias ao longo da sua carreira. Qual foi o projeto mais desafiador?
TT - A colaboração mais desafiadora está acontecendo precisamente neste momento entre mim e o Armand Van Helden. Tem sido complicado encontrar tempo para finalizar o projeto que estamos a trabalhar.
CDJ - Quando olha para o cenário atual da música eletrônica quais são os seus pensamentos?
TT - Acho que no cenário atual existem cada mais músicas.
CDJ - Muitos dos maiores nomes da Música Mundial dizem que o Todd é o responsável pela evolução do Deep House, do Soulful e do Disco House e que o seu trabalho é um dos mais relevantes no crescimento da música de dança. O que sente com estas declarações?
TT - Sinto-me honrado em ser mencionado dessa forma pelos profissionais.
CDJ - Fale um pouco sobre a evolução tecnológica no seu trabalho como Dj até aos dias de hoje.
TT - O que eu mais amo no momento é a possibilidade de levar toda a minha música em flash drives. Eu nunca conseguiria levar toda a música que levo no momento quando carregava Vinyl ou Cd's.
CDJ - Qual é o seu setup atual de Dj?
TT - O meu setup atual são 3 CDJ 2000 um mixer Pioneer DJM 900 e os meus flash drives.
CDJ - Quais os seus pensamentos em relação ao Digital Djing?
TT - Em relação a Software de Djing prefiro não fazer comentários.
CDJ - Em relação à industria de equipamentos de Dj, o que você vê no horizonte? Como irá o Dj tocar no futuro?
TT - Os Dj's no futuro não estarão sequer presentes no clube, no futuro o Dj será um holograma.
CDJ - Fale um pouco sobre os seus projetos atuais como Dj e como produtor.
TT - Irei entrar em estúdio agora em Dezembro com o Nile Rodgers, quando ambos estivermos na Austrália.
CDJ - O que podemos esperar do Todd Terry nos próximos anos?
TT - Colaborações com o Armand Van Helden, Dj Sneak, Dj E-Clyps e Mauric Tamraz.
CDJ - Qual o conselho que pode deixar aos nossos leitores que estão iniciando suas carreiras como DJ's?
TT - Mantenham-se fiéis ao que acreditam mas toquem sempre direcionados para o público.
O Cultura de Dj gostaria de agradecer a Todd Terry pela disponibilidade em nos conceder esta entrevista, desejando que o futuro possa trazer mais êxitos que consolidem cada vez mais a cena da música eletrônica de qualidade.
Se o nome "Kult of Krameria" lhe diz algo então você sabe da importância da expressão artística envolvida. Se por outro lado o nome do projeto não lhe é familiar, sugiro que busque, estude e eduque seus ouvidos e conheça o som deste projeto de origem Portuguesa que marcou definitivamente a Cena da Música Eletrônica desde os anos 90 em Portugal e no Mundo. Falar de Kult of Krameria é para muitos fazer uma viagem ao passado onde sensações inacreditáveis eram vividas nas pistas de dança, onde emoções e sentimentos diversos se manifestavam a cada minuto e, onde o público saía no final de cada festa com a sensação de que uma história havia sido contada com elementos que remetiam às bases e raízes da música eletrônica mais ricas. O projeto Kult of Krameria surge na cidade de Lisboa em 1993 envolvido em um crescente movimento underground que se fazia sentir em Portugal. O projeto pode ser classificado como "live performance" onde os elementos criados em estúdio se misturam com elementos improvisados na cabine, resultando em uma experiência única para o público. Depois de duas décadas nas pistas, vários temas se tornaram destaque como: Love & Happiness, Voodoo Drums, The Profecy, Esperança e mais recentemente Break my Bone e Whatchout. Os trabalhos dos Kult of Krameria foram editados por editoras como a Twisted America, Nervous Records, Stereo Productions, Younan Music, Kult Records, Beatfreak e Fatal Music. O seu som viaja entre os elementos étnicos com batidas fortes mescladas com referências urbanas e underground. O "Drama" nas suas músicas é também algo constante e que garante a inclusão dos seus temas nas playlists dos maiores nomes do Djing mundial. Defensores ativos de música criada com coração e alma, o som dos Kult of Krameria cativa várias gerações. Confira a seguir a entrevista exclusiva dos Kult of Krameria para o Cultura de Dj.
ENTREVISTA
CDJ - Os Kult of Krameria surgem no ano de 1993 quando Portugal e toda a Europa passava por uma fase extremamente vibrante no movimento "underground". Quais foram as vossas motivações iniciais ao criar este projeto?
KK - Na altura, éramos apenas 3 amigos que queriam fazer música. Vivia-se em Portugal uma fase muito positiva relativamente à música eletrônica e, em Lisboa especialmente, existia uma vibe muito grande que depois se espalhou pelo país. Tudo era novo e diferente, havia uma contra cultura que se tornara um movimento dominante e isso era espetacular. Não só a música, mas as artes visuais, a dança, tudo se conjugava e foi aí que nós nascemos. Queríamos fazer parte disso, queríamos fazer discos, tocar ao vivo, estar nas grandes festas, ser reconhecidos pelo nosso trabalho e acabamos por o conseguir, felizmente.
CDJ - "Love & Happiness" e "Voodoo Drums" foram dois dos temas mais míticos do projeto e que se espalharam rapidamente pelas pistas um pouco por todo o mundo. Esse destaque do projeto foi algo esperado por vocês na altura?
KK - Tivemos mais tarde, em 2005, também o tema o "Esperança" em que colaboramos com o Danny Tenaglia e o Onehundredpercent, que saiu na Stereo e tiveram muito boa visibilidade. Love & Happiness e Voodoo Drums, eram temas que tinham a ver com essa procura constante da novidade, e foram apresentados á pista de dança numa altura boa para nós. Love & Happiness, tinha uma produção complicada na altura, penso mesmo que foi o tema mais complicado que produzimos naquela época, havia um bass line sempre presente, mas por cima dele caiam várias "paterns" rítmicas com uma intensidade crescente e sequências melódicas que se completavam. Tudo terminava no êxtase de um momento, com uma mensagem. Era bom ver as pessoas a darem as mãos na pista e a levantarem-nas no ar. O Voodoo Drums, era e é ainda hoje uma track de "Pure Madness", abrasiva, demolidora, envolvente. Dava ao Dj o poder de incendiar a pista em qualquer momento e reflete um pouco a nossa maneira de trabalhar ainda hoje. Não queremos fazer temas que os outros já fizeram, nem andar por caminhos já explorados, sempre foi assim desde o inicio e continua. Existe neste projeto, essa procura de fugir dos lugares onde os outros estão. Se esperávamos por esse destaque na altura? Um produtor nunca espera um hit, ele acontece por um efeito "bola de neve", que é difícil prever na música eletrônica, mesmo hoje. De uma coisa temos a certeza, o trabalho na altura foi feito de forma crescente e, para que o projeto se tornasse conhecido rapidamente, foram muitas e longas noites de trabalho, nos primeiros anos. Fazíamos música todas as noites até de manhã, foi por isso que construímos uma cadência de edições muito rápida e isso levou ao reconhecimento.
CDJ - Sem dúvida que a década de 90 foi mítica não apenas para o House como para vocês enquanto projeto de música eletrônica. O que mudou nas pistas em termos global dessa época para os dias de hoje?
KK - O que mudou foi o público e o acesso à informação. Saímos de uma situação de procura constante pela novidade e por novas experiências, para uma situação em que tudo está acessível e à distancia de um click, juntamente com a mudança geracional que entretanto aconteceu. Aparentemente, os novos "party goers" sentem-se mais à vontade a cantar refrões pop e a dançar músicas que já conhecem da rádio ou de que viram o vídeo no youtube ou na MTV. É uma questão geracional, não interessa tentar compreender porque o fazem ou porque preferem tirar fotografias a sorrir e a mostrar como são felizes, em vez de dançar e usufruir da experiência de ter um dj a criar um set para eles, único, à medida, para os fazer dançar e divertirem-se. Interessa apenas saber que as massas se moveram para outros quadrantes e, tentar arranjar forma de as ir buscar novamente ou arranjar novos públicos para as substituir e manter o groove.
CDJ - Como avaliam e classificam a música eletrônica que se produz na atualidade?
KK - Mais diversificada, menos criativa, mais evoluída tecnicamente, acessível e relativamente fácil de produzir.
CDJ - Muitos dizem que os temas dos Kult of Krameria são "impossíveis" de enquadrar num estilo definido dentro da House Music. Onde vocês enquadrariam o som que produzem em termos de estilo musical?
KK - Nós também não conseguimos, nem queremos. Uma das bases vivas do projeto é fazer sempre coisas novas e diferentes. Dou-te um exemplo: tivemos algum sucesso com o Voodoo Drums, mas não vamos passar a vida a fazer músicas iguais a essa, há sempre uma necessidade de procurar coisas novas. Hoje em dia, penso que o estilo que praticamos, está dentro da grande família de estilos a que chamam de Tech House. Também gostamos de algum Techno e de House e Deep House, mas temos feito muitas coisas diferentes. É essa uma das mais valias do projeto, estar à vontade em muitos estilos para os poder trabalhar livremente, isso cria um portfólio diversificado e vai buscar pessoas a muitos lados para a base de seguidores.
CDJ - Sem dúvida que um dos destaques dos vossos temas é a forte presença de percussão e elementos dramáticos e algo futuristas. Qual o tipo de influências que procuram quando estão a produzir?
KK - Sim, os Drums com Drama, sempre foi uma das principais características do nosso som. A pista tem que ser um espaço de experiência e não de tirar fotos. Por isso, o drama é muito importante na produção, as pessoas têm que ter sensações, que as levem para lá da sua zona de conforto, só assim faz sentido. Dançar na discoteca ou na rave, no momento em que as luzes vão abaixo e em que se ouvem os gritos, em que sai o drama, o medo, os arrepios, a insanidade. Depois disso, vem a explosão e solta-se a energia do público. Aí os Drums são imbatíveis para os fazer mexer e soltarem-se. Fazer levantar os braços hoje é fácil e socialmente aceitável, quase todos os dj's baseiam nisso as suas atuações, mas, nós pretendemos que as pessoas tenham outras sensações, para lá da libertação. No final da noite, o prazer da viagem e a cultura, deve ser o que prevalece nas suas cabeças antes do merecido sono.
CDJ - Quando se apresentam ao vivo como Dj's qual o setup que usam na cabine?
KK - Hoje em dia já não levamos aquelas máquinas todas para o palco quando vamos tocar. Usamos 2 ou 3 setups diferentes, baseados na plataforma Traktor da Native Instruments. O primeiro e mais antigo, usava 2 computadores com o Traktor e que se ia ligando externamente na mistura, que é feita por 2 controladores, o Kontrol S4 e o Maschine, mapeado para controlar o Traktor também. Hoje em dia, usamos mais um setup em que apenas funciona um computador e os 2 decks e os 2 remix decks estão acessíveis aos 2 controladores através de um mapping muito complexo e que demorou algumas semanas a fazer, mas permite live sessions de drums, congas, vozes etc. Temos um 3º setup em que ligamos o Traktor e o Ableton Live, mas que ainda estamos a desenvolver o mapping e a forma de trabalho, ou seja, ele já faz o básico que é o que a maior parte do pessoal que usa faz, e mais algumas coisas que entretanto inventamos, mas ainda não faz exatamente aquilo que nós queremos, e como o queremos.
CDJ - Qual a vossa opinião sobre a plataforma Digital, os Controlares Midi e o Software de Djing?
KK - É uma evolução natural, penso que é uma discussão que não faz sentido. Se existem novas ferramentas de trabalho são para usar, quem não as usa fica para trás. Hoje, grande parte da discussão nas redes sociais, gira á volta do uso do Sync e de que no tempo do vinil é que era bom. O software é evoluído e excelente e os controladores permitem fazer muito mais coisas do que passar a noite a acertar batidas. Trabalha-se mais rápido e se tiveres uma boa técnica de "layering", souberes fazer o trabalho de casa, consegues compor em tempo real e passar um bom bocado com os teus fãs. A experiência é muito melhor para o ouvinte se for bem feita claro. Ok, existe aquela nostalgia de tocar com os Technics, e eu tenho 2 em casa que adoro e uso de vez em quando, mas isso é típico da nossa geração que é muito nostálgica, a nova geração não quer saber disso e quem está na pista agora é a nova geração.
CDJ - Hoje em dia existe uma crescente corrente de profissionais que busca incessantemente ressuscitar o bom som que era escutado na década de 90 e inícios de 2000 e que mantinha as tribos urbanas na pista não apenas pelo elemento musical mas também pela qualidade e ambiente criado pelo Dj. Vocês acreditam que é possível voltar atrás e resgatar essa vibe?
KK - Nós acreditamos e é por isso que ainda cá andamos a trabalhar para isso, mas está difícil, porque existe muita coisa, muita informação, muita diversidade e o público dispersa-se, fragmenta-se, desaparece de um dia para o outro. A mudança tem que ser na nossa opinião de fundo, voltar a criar os clubes com a boa vibe, onde o Dj residente seja responsável, se esforçe para trazer esse som ao espaço e não encare a sua profissão como um tempo de aprendizagem para dar o salto para se tornar um dj freelancer famoso ou usar o espaço como moeda de troca para os seus gig's no exterior. Depois, tem que haver uma transversalidade nos grupos de interesse, as diversas tribos fecharam-se e trabalham só para si, não admitem estranhos, mesmo que o que eles tragam seja diferente do que têm. Os sistemas geram poucos recursos e quanto menos pessoas existirem no negócio melhor. Por último, tem que haver investimento e aí a coisa complica-se, as editoras têm que alimentar essa vibe, e nesses 4 ou 5 clubes por cidade, é preciso criar um circuito que as pessoas frequentem e garantam que por eles lá estarem, mais virão para dançar e propagar a onda e os empresários têm que querer participar nisso.
CDJ - Como vocês avaliam no presente a tarefa enquanto agente cultural do Dj nos clubes? Os profissionais ainda conseguem elementos para cultivar e educar o público?
KK - O grande problema foi que a música passou a ser acessória, em vez de ser a razão pela qual as pessoas frequentam o clube. Ao fazer-se isso contrataram-se Dj's mais baratos ou promoveram-se os aprendizes, que passam músicas "para a casa" ou seja para os bares funcionarem e se manterem até mais tarde. Já não existe a preocupação em educar o público. Essa função, salvo raras excepções aparece nos Dj's Freelancers, que se dedicam a essa atividade e onde quase já nem ganham dinheiro. Divulgam a música e a cultura, têm uma base fiel de seguidores, continuam a alimentar a vibe. Aqui e ali, aparecem bons projetos, clubes com uma boa programação que cativam tribos, fazem boas festas e criam uma "hype" para a festa seguinte, mas são projetos limitados porque se fecham nos seus ciclos, não renovam o seu DNA musical. Tocam sempre os mesmos Dj's residentes, de vez em quando mandam vir um estrangeiro ou 2 para chamar público, mas na verdade num ano se vais a 8 ou 10 festas dessas, vais ver os residentes 8 ou 10 vezes e isso se calhar não é assim tão interessante nem tão inovador. Acresce que os Dj's são normalmente os donos ou sócios das promotoras e por isso tendem a salvaguardar o seu "income" mensal.
CDJ - Quais os vossos projetos atuais?
KK - Os nossos projetos passam por continuar a produzir e tocar para o público sempre que possível. Tivemos até à primavera mais fechados no estúdio, mas isso deu frutos no verão com muitas edições em labels conhecidas mundialmente, e agora estamos a terminar uma série de temas novos e algumas remixes para essas mesmas labels. Sempre que podemos ajudamos editoras mais pequenas e das quais gostamos do som, com edições ou remixes.
CDJ - O que podemos esperar dos Kult of Krameria no futuro?
KK - Estamos cá para lutar pelo futuro da música eletrônica e no essencial para continuar a alimentar a base de fãs dos KK, que querem continuar a ouvir a música como nós a fazemos e a ver-nos tocar ao vivo. Não vale a pena fazer hoje planos para grandes coisas, há 20 anos que existimos e nunca planeamos grande coisa, fomos andando e saboreando cada momento, mas olhando para trás vemos que foi um percurso interessante, existe um caminho e uma história e isso é o mais importante.
CDJ - Qual o conselho que podem deixar aos nossos leitores que estão iniciando suas carreiras agora para poderem vencer como Dj's?
KK - O conselho normal que toda a gente dá: não copiar ninguém, criar o seu próprio estilo, insistir, insistir, treinar muito, lutar pelo lugar onde se espera estar amanhã e começar rapidamente a produzir. O Dj ou produtor terá mais valor se conseguir fazer coisas que os outros ainda não fazem, ser diferente, manter-se original e acima de tudo nunca defraudar os seus seguidores, pois sem eles, o Dj/produtor não existe. Acho que devemos imaginar este mundo como uma parede com várias janelas pequenas, a abrir e a fechar constantemente. De vez em quando abre-se uma e toda a gente quer entrar por ela rapidamente, mas ela pode não ser a janela indicada. É na percepção da janela certa que pode estar a chave do vosso sucesso. Implica estar atento ao meio, tentar perceber como funciona o negócio da musica eletrônica e depois criar e projetar o vosso nome, a vossa marca nesse espaço. Pelo meio vai aparecer muita gente que não tem o talento para criar música ou meter pessoas a dançar, que se vai querer aproveitar do vosso trabalho, nessa altura temos que saber saltar fora.
O Cultura de Dj agradece aos Kult of Krameria pela disponibilidade, sinceridade nas suas resposta e pelo apoio ao nosso projeto. Desejamos que o projeto continue criando e re-inventando a música eletrônica e desejamos a eles todo o sucesso do Mundo.
Rodrigo Vieira é um nome de destaque não apenas pelos seus laços familiares mas por ser considerado um dos melhores Djs Brasileiros. Residente no Green Valley, o Clube nº1 do Mundo (atribuição feita pela Dj Mag em 2013), ele foi eleito melhor Dj de House do Brasil em 2010, 2011, 2012 e 2013 pela revista Dj Sound. Rodrigo começou a sua viagem pela música eletrônica na adolescência tendo adquirido muita da sua experiência nos 15 anos que viveu em Miami. No período que viveu nos Estados Unidos trabalhou na Sony Music e na Universal Music com profissionais de destaque mundial como Roger Sanchez, Fatboy Slim, Paul Van Dyk e desenvolveu vários projetos sobre os selos Subliminal, Ministry of Sound e Defected. Como Dj Rodrigo já passou pelas cabines de vários países dos quais destacamos os Estados Unidos, México, Colômbia, Costa Rica, Bolívia, Lituânia, Rússia, Espanha e Portugal onde residiu durante 3 anos. Rodrigo Vieira teve a oportunidade de figurar em line-up's de luxo ao lado de nomes como Swedish House Mafia, Tiesto, Fatboy Slim, Armin Van Buuren, Erick Morillo, Kaskade, Bob Sinclair, Dimitri Vegas & Like Mike, Groove Armada entre muitos outros. Nos últimos 8 anos, vem coordenando as festas "We Love Brasil" pelo mundo e desde 2008 tem presença no cartaz do Ultra Music Festival em Miami, sendo o único residente brasileiro no evento. Nos últimos 3 anos, Rodrigo tem tocado na temporada de verão na casa do House Europeu: Ibiza, nos míticos clubes Space, Amnesia, Es Paradis e Ushuaia. No Brasil, o Dj tem presença em clubes e eventos como UMF Brasil, Planeta Atlântida, Rio Music Conference, Rock in Rio, Dream Valley Festival, entre outros. A tudo isto Rodrigo acrescenta também a direção artística do Green Valley. Confira agora a entrevista exclusiva de Rodrigo Vieira ao Cultura de Dj.
ENTREVISTA
CDJ - Rodrigo, quais os principais fatores que o influenciaram a seguir a carreira de Dj?
RV - A paixão pela música surgiu logo aos 5 anos de idade. Meu pai era diretor da Globo e recebia todos as compilações da Som Livre, trilhas de novelas, filmes, etc. Minha Mãe, tem um gosto muito eclético, nessa época ouvia Elis Regina, Roberto Carlos, Miles Davis, Pink Floyd...e eu molequinho, quando eles iam trabalhar, abria a "vitrola" do meu pai e ficava ouvindo os discos. Me lembro até hoje do cheiro dos discos de vinil da época. Depois, fui crescendo, comprando meus discos (forte influencia de Soul/Black - Stevie Wonder, Earth Wind & Fire, Parliament) e, em 1978, formei minha primeira equipe de som de festas. Daí pra frente foi um pulo, até que em 1982, consegui meu primeiro trabalho profissional, no Hippopotamus (RJ). Já lá vão 30 anos de carreira profissional, e 34 desde que comecei a ganhar dinheiro com isso.
CDJ - Quando iniciou sua carreira quais eram suas principais influências musicais?
RV - Acho que na pergunta anterior falei um pouco sobre isso, mas sem sombra de dúvida minha carreira é baseada em 2 coisas: Disco Music e House Music, desde seu nascimento. Vivi as 2 fases intensamente, mas a House Music me acompanha até hoje, nunca a abandonei nem o farei...jamais.
CDJ - Ao longo do seu trajeto como Dj passou por vários eventos e clubes temáticos. Qual o local ou evento que mais lhe marcou?
RV - Minha temporada de 3 anos em Portugal (87-89) foi muito marcante, pela primeira vez fui trabalhar como DJ de club e Rádio em outro país (tinha um programa na Solar Radio da Inglaterra, que transmitia direto do Algarve) e tinha 23 anos de idade. Na verdade, tinha ido inaugurar um clube, só ia ficar lá por 3 meses, e acabei ficando 3 anos e inaugurando outros 2 clubes. Inclusive nesse último verão, voltei a tocar na festa de 25 anos de um deles, o T Club, foi muito emocionante. Também tive o privilégio de tocar em grandes festivais como Ultra em Miami (por 8 anos seguidos), Coachella (US), Rock In Rio e Dream Valley. Os festivais são sempre muito divertidos, o público já vai com a intenção de se acabar e dançar, a resposta é imediata e a emoção está sempre a flor da pele.
CDJ - Neste momento o Rodrigo é residente no Green Valley considerado "o melhor do mundo". Como tem sido a experiência?
RV - O Green Valley é simplesmente o melhor lugar do mundo para tocar. A magia daquele lugar é incrível. A sinergia foi tanta que acabei virando residente e depois fui trabalhar com eles no marketing internacional.
CDJ - Além de residente, o Rodrigo é também o diretor artístico do Green Valley. Quais as diretrizes que procura seguir quando faz o line-up das festas e eventos do clube?
RV - No momento, estou bastante focado na expansão da área internacional de eventos, o GV World Tour (recentemente fizemos em Las Vegas (Marquee), Portugal e Ibiza (Ushuaia) e com planos de fazer no Japão e Singapura). Também estou coordenando a produção do novo CD do GV, que será mixado pelo nosso "Rei" Steve Angello.
CDJ - Como avalia a cena da música eletrônica no Brasil quando comparada com outros países onde se costuma apresentar?
RV - Apesar dessa empolgação internacional em relação ao Brasil, temos um mercado com muitos problemas. Super cachets, monopólios, música local forte, DJ's nascendo em árvores (rs), incompetência e muito charlatanismo e trapaceria. Mas isso acontece na maioria dos mercados. Os bons e experientes se viram, não posso reclamar de nada, minha agenda está super lotada. Mas não posso deixar de citar um fator predominante no Brasil: nosso público.
CDJ - Qual o setup que o Dj Rodrigo Vieira usa na cabine?
RV - Preferido: CDJ2000 + DJM 2000. Bons monitores são fundamentais, o DJ tem que sentir o peso do som da pista na cabine, aliás, pouca gente entende isso e em várias ocasiões vou tocar em clubes pelo Brasil, chego na cabine e lá esta um monitor ferrado, no chão, sem brilho, sem potência... detesto!! Fones: estou gostando bastante do Beats Mixr, potente, pequeno e articulado. Gosto também dos Senheisser, usei eles durante muitos anos.
CDJ - A indústria do Djing tem evoluído nos últimos anos no sentido do Digital Djing. Qual a sua posição sobre o uso de software e controladores midi?
RV - Pra mim computador é pra fazer musica. Gosto de virar na mão, muito mais orgânico, emocionante, verdadeiro. Mas respeito quem usa, cada um faz o que quer.
CDJ - Quais as marcas que considera mais relevantes no universo dos equipamentos profissionais para Djs?
RV - A Technics, por ter inventado um toca-discos em 1972, a 1200 MKII, e até hoje ser referência. E logicamente a Pioneer, que conseguiu fazer a transição para o CD e manter a emoção de tocar em um toca-discos.
CDJ - Nos fale um pouco sobre seus projetos atuais.
RV - Venho tentando dedicar-me um pouco mais à produção. Nessa semana, uma música que fiz com meu parceiro Marcos Carnaval, "Good Night Drums", atingiu o Top 10 do Traxsource, isso está me dando bastante estímulo para ir mais ao estúdio. Além disso, estou finalizando meu novo CD, uma homenagem aos melhores produtores atuais de EDM do Brasil. O CD tem faixas de Gui Boratto, Meme, Antonio Eudi, Groove Delight, Glazgo, Joe K, e vários outros representantes de peso.
CDJ - O que podemos esperar do Rodrigo Vieira no futuro?
RV - Muita House Music!! Não penso em parar tão cedo...
CDJ - Qual o conselho que pode deixar aos nossos leitores que estão iniciando suas carreiras como Djs?
RV - Desistir jamais!!! Lutem, lutem, lutem...e sejam humildes, mas não muito (rs).
O Cultura de Dj agradece a simpatia e disponibilidade do Rodrigo Vieira para nos conceder esta entrevista. Desejamos que continue levando sua música aos quatro cantos do mundo e que o sucesso sempre acompanhe a sua carreira.
O que achou desta super entrevista com Rodrigo Vieira?
Stefan Eichinger aka Lopazz é um nome desde sempre associado ao experimentalismo sonoro. Dotado de uma sensibilidade extraordinária, ele é capaz de tornar sons do dia a dia em melodias envolventes. Lopazz pertence ao grupo de profissionais que fornecem à música eletrônica uma visão "avant-garde" e cheia de sensações únicas. As suas produções contam com edição de um leque invejável de editoras como a Get Physical, Cocoon Records, Poker Flat e Output Recordings. Lopazz é classificado como um artista multimídia, levando para a cabine os setups mais variados enquanto oferece experiências únicas em live act.
A sua ligação com a música começou nos anos 90. Desde 1996 ele faz parte da equipe da HD800, que explora entre outros um clube de techno, 2 editoras (800achtspur e 800trak) e um estúdio de gravação. Talvez uma das características que o diferencia no mercado seja o facto dele estar envolvido na produção musical e áudio para televisão e cinema. Lopazz já produziu mais de 50 programas para televisão e documentários. Viaja frequentemente pelo mundo buscando sons para as bandas sonoras de suas produções.
Todas estas características tornaram Lopazz um pioneiro na música eletrônica. A mistura de sons orgânicos com sons eletrônicos tornam seus trabalhos únicos. Ao longo da sua carreira, conta com colaborações com/e de artistas tão variados como Xavier Nadoo, Chelonis R. Jones, Luciano, Ricardo Vilallobos, M.A.N.D.Y., Isolée, The Rapture, Product 01, Kudu, Gus Gus, Kasper Bjorne, Richard Bartz, DJ T., Jamie Jones, Maceo Plex, A Tale of Us, Clockwork, Phreek, Jordan Lieb, Gerd Janson e muitos outros.
Lopazz ao longo da sua carreira passou pela cabine de clubes como D'Edge (São Paulo), Watergate (Berlim), Weekend (Berlim), Berghain (Berlim), Tresor (Berlim), Soundwave (Vancouver), Berns (Estocolmo), Bataclan (Paris), Fabric (Londres), The Standard (Nova York), Le Bain (Nova York), Asylum (Honolulu), Monarch (São Francisco), Cocoon (Frankfurt), Gare (Porto), Pitch (Porto), Amnesia (Milão), Klubbers Day (Madrid), Rooftop (Moscovo) e muitos mais.
Confira agora a entrevista exclusiva de Lopazz ao Cultura de DJ.
ENTREVISTA
CDJ - Lopazz és um apaixonado pelo som e pela produção musical. Porque é que a música eletrônica se tornou importante na tua carreira?
LPZ - Quando eu era mais novo a música eletrônica era o "Rock n' Roll" para mim. Eu podia expressar-me sem me preocupar com editoras, agentes ou campanhas de marketing. Tudo era possível, sons estranhos, variações de tempo loucas e pitch selvagem: pura liberdade. Eu também gosto da ideia de fazer sets longos sem qualquer pausa. Aí és capaz de criar atmosferas especiais.
CDJ - Quais as principais diferenças que encontras entre a música produzida no passado e a produzida nos dias de hoje em termos de tecnologia?
LPZ - Quando eu comecei, eu usava um leitor de cassetes de 4 decks e um pedal de guitarra como unidade de efeitos, uma drum machine barata e microfones... Hoje com o uso de "plug-ins", computador e as fontes de dados da internet os limites desapareceram... isto não significa que a música é melhor do que a produzida nos anos 90 mas, ela apenas se tornou mais forte e automatizada. Mesmo assim, a maior parte das vezes, as pessoas limitam-se a copiar estilos e modas e não são criativas. Não estou a reclamar, tudo é possível nos dias de hoje o que é excelente, podes tocar e mixar tudo o que quiseres, é fantástico...
CDJ - Em que patamar achas que está a música eletrônica na Europa? Quais são os estilos que dominam os clubes nos dias de hoje?
LPZ - "OMG" (Meu Deus), isso é algo que deves perguntar aos produtores de música eletrônica dos Estados Unidos, hahahaha. Nós estamos aqui, fazemos, vivemos e sentimos a música eletrônica. A música eletrônica está por todo o lado seja ela boa ou má. Ela já não é uma sub-cultura, ela tornou-se "mainstream". O House continua vivo depois de tantos anos. Nós não esperávamos isto quando começamos...
CDJ - Quando te apresentas ao vivo, consideras-te um Dj ou um Produtor?
PLZ - Há alguns anos atrás eu me considerava um animador, eu atuava no palco, cantava, tocava guitarra e tudo isto em clubes! Nos dias de hoje eu me sinto cansado de vocalismos de palco regados a champanhe com muito barulho de fundo (White Noise)... Os meus sets ao vivo, são repletos de sons que fui gravando e produzindo no meu estúdio para os meus trabalhos e para outros artistas como DJ T., M.A.N.D.Y. e Cavaan. O meu computador é como um "Akai MPC" gigante. Pura e simplesmente.
CDJ - Fala um pouco sobre o equipamento que levas para um ambiente de clube.
LPZ - A maior parte do material que toco foi produzido e gravado de forma analógica nos meus estúdios. Uso o Ableton Live 9, o meu controlador Akai MPC para loops e misturo tudo através de um Mixer de Dj. Por vezes uso um sintetizador como o Korg Micro e me apaixonei pelo Ableton Push, iPad e o pelo Novation Twitch.
CDJ - Consideras o Digital Djing o futuro?
LPZ - A música e o desenvolvimento da indústria é o futuro. Iremos sempre usar equipamentos que nos inspirem. Não existem limites.
CDJ - Qual o software de Djing que preferes?
LPZ - Prefiro sempre tocar com os decks Pioneer CDJ-2000 mas também adoro usar o Serato com o Novation Twitch.
CDJ - Hoje, vemos marcas tradicionais de DJ lançarem quer controladores modulares quer controladores "all-in-one". Acreditas que o futuro do DJing passe por controladores e mapeamento midi?
LPZ - Tal como disse anteriormente, não existem limites e a Música é o futuro.
CDJ - Já produziste remixes para grandes artistas. Qual foi o tema mais desafiador de produzir?
LPZ - Bem, essa é uma pergunta difícil. O tema Rapture para a DFA não foi fácil pelo estilo Indie-Rock que apesar de eu adorar, às vezes não é fácil passar para tema de clube na linha deep. O remix do tema Black Light Smoke do Jordan Lieb que produzi junto com o DJ T. também foi desafiador em termos sonoros mas o Martin Dawson (RIP), ajudou na mistura final e tornou-se um grande sucesso.
CDJ - Fala um pouco sobre os teus projetos atuais.
LPZ - Neste momento estou produzindo muitos temas para Televisão, produzindo música para outros artistas, lançando novos trabalhos próprios, fazendo tours, relaxando e fazendo amor...
CDJ - O que podemos esperar do Lopazz no futuro?
LPZ - O mesmo de sempre: o inesperado!
CDJ - Deixa um conselho para os nossos leitores que estão começando suas carreiras como DJ.
LPZ - Acreditem em vocês, não liguem para os tops e para o sucesso. Façam música, sintam música. Mostrem Amor.
O Cultura de DJ agradece pela habitual simpatia e disponibilidade de Lopazz.
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Chus L. Esteban ou simplesmente DJ CHUS é um dos DJ's oriundos de Espanha com maior importância no panorama da Dance Music mundial. Sua carreira começou nos anos 80 em Madrid durante a fase em que o acid-house imperava no famoso club "Alien". Em 92 foi convidado para ser residente no mítico club "Kadoc" em Portugal e a partilha da cabine com os maiores nomes mundiais do Underground tornaram o seu estilo mais refinado dentro da House Music. Mais tarde, em 94 assumiu a residência do "Teatro Kapital" em Madrid que dura até 2004. Durante esses anos a vontade de produzir os seus próprios temos começou a ter maior relevância na sua carreira e com o apoio de David Penn, começa a lançar os seus temas.
Ao longo do seu caminho conhece Pablo Ceballos um profissional com um passado ligado ao Techno e, que junto com as raízes House de Chus deu origem á fusão "Chus & Ceballos" que fez emergir o conceito "Iberican Sound". Este conceito passou assim a envolver uma integração mundial da Dance Music. A sua visão permitiu que o seu trabalho se propaga-se em Ibiza e como consequência passou a integrar o Top 100 da DJ MAG que lhe deu um reconhecimento internacional repleto de marcos importantes. Recebeu os títulos de "Dj do Ano", "Melhor Dj House", "Melhor Remixer", "Melhor Selo de House" entre muitos outros.
Tudo isto permitiu mais de 20 anos de gravações, que oscilaram entre trabalhos a solo, com David Penn, Pablo Ceballos e muitos outros. Destacam-se na sua carreira temas como "That Feeling", "Harminica Track", "Back2NY" a solo e, "Penn Baila", "Will I" e "Burning Paris" ao lado de David Penn. Juntamente com Ceballos surgiram os temas originais "In Stereo", "Baguio Track" e os famosos remixes para "Hell in Paradise" para Yoko Ono, "Dark Beat" para Oscar G e Ralph Falcon, "Hung Up" para Madonna, "Addicted To You" para Shakira e mais recentemente "Not Myself Tonight" para Christina Aguilera.
Chus tornou-se uma referência mundial e assina residências no "Pacha" de Nova York, "Space" em Miami, "Stereo" em Montereal, "Ageha" em Tóquio entre muitos outros. Conta também com o seu programa de rádio "In Stereo Radioshow" que se espalha um pouco por todos os continentes mundiais.
Confira agora a entrevista exclusiva de DJ CHUS para o CULTURA DE DJ.
ENTREVISTA
CDJ - Chus, a tua carreira já ultrapassou a marca dos 20 anos. Quais foram as tuas motivações iniciais para começar no Djing?
DJC - A música é uma paixão que tenho desde sempre. Nasci com ela e com o passar dos anos ela tornou-se a minha profissão. De qualquer maneira eu sempre digo, para mim a música é uma forma de vida.
CDJ - Em 92 começaste a tocar como residente no mítico club Kadoc no Algarve - Portugal, quais as memórias que guardaste desses tempos? Quais os principais estilos de E-Music que predominavam nessa época?
DJC - A primeira vez que estive na Kadoc foi um anos antes de começar a tocar como Dj residente. Lembro-me perfeitamente que na altura até música Rock passava no meio da noite. A nossa intenção na Kadoc foi de tornar a discoteca em um verdadeiro Club de House Music.
CDJ - Em termos de equipamentos de Djing, fala-nos um pouco da evolução na tua cabine até aos dias de hoje.
DJC - Bem, muitos foram os avanços tecnológicos desde os meus primeiros dias onde tinha 2 gira discos e vários discos de vinil. Neste momento, o mundo do Dj tem evoluído de tal maneira que a tecnologia que temos ao nosso alcance é fantástica. Gosto muito de tocar com o meu computador e o software profissional para Dj's "Traktor Pro". Isso dá-me a possibilidade de aceder à minha livraria musical em um só click. Além disso uso controladores, processadores de efeitos e gravadores que me permitem gravação em duas vias e conseguem captar o ambiente em direto do club onde estou a tocar. Isso complementa o meu setup.
CDJ - Hoje usas um setup baseado em software. O que podemos encontrar na cabine quando tocas?
DJC - O meu setup é composto por um Macbook Pro da Apple, o Traktor Pro da Native Instruments, o Kontrol X1 para o Traktor, Mixer Pioneer DJM-900 Nexus e 3 CDJ-2000 também da Pioneer. Para a gravação dos meus set's uso o Zoom-90.
CDJ - O que te fez escolher o Traktor Pro quando comparado com os restantes que o mercado oferece?
DJC - Basicamente procuro o standard de termos de qualidade dentro da linha Pro. Cada estilo e cada tipo de Dj tem as suas preferências, é simples.
CDJ - Quais os teus pensamentos em relação a controladores midi? Preferes sistemas modulares ou "all-in-one"?
DJC - Não sou partidário do uso de tecnologias obsoletas. Hoje em dia temos equipamentos com USB, Wifi ou Bluetooth que cobrem todas as nossas necessidades.
CDJ - Um tópico que tem sido bastante discutido nos últimos 2 anos é em relação à função "sync" nos softwares para Dj. Consideras essa função boa ou má?
DJC - Sou a favor das novas tecnologias, elas melhoram a qualidade do nosso trabalho e abrem novas formas de criatividade. Mas é claro, um DJ deve saber tocar sem ter que carregar no botão Sync. Com 25 anos de carreira acho que já não tenho de mostrar a ninguém que sei misturar discos sem o Sync e, não tenho problema não tenho problemas em assumir que atualmente faço uso dele. Dá-me a possibilidade de fazer muitas outras coisas muito mais criativas.
CDJ - Achas que os promotores e agentes um pouco por todo o mundo estão preparados para aceitar DJ's com setup 100% Digital?
DJC - Porque não? Isso já não é o futuro e sim uma realidade do nosso tempo. "Evoluir ou morrer".
CDJ - Na tua carreira podemos testemunhar vários remixes de artistas globais como Madonna ou Christina Aguilera. Qual foi o tema que representou maior desafio para produzir?
DJC - Cada um dos remixes que já fiz na minha carreira deu-me muito prazer. Mas o que me deu mais trabalho foi sem dúvida o "Hung Up" da Madona. Era uma grande responsabilidade e só tínhamos uma semana para o fazer. Foi uma corrida contra o tempo!
CDJ - Em termos de produção quais são os teus projetos atuais?
DJC - Estou a preparar junto com o Pablo (Ceballos) o nosso próximo álbum de verão com a Toolromm Records. "Chus & Ceballos Toolroom Knights Ibiza" com data de lançamento em Julho deste ano.
CDJ - O que podemos esperar do DJ CHUS no futuro?
DJC - Música e mais música. Não consigo imaginar a minha vida sem música.
CDJ - Que conselho podes deixar aos nossos leitores que estão a começar as suas carreiras como DJ's?
DJC - Sejam vocês próprios, tentem-se destacar dos outros e não se limitem a ser seguidores, sejam sim líderes. Tudo isto se consegue com muito trabalho e muita paixão.
O nome de Diego Miranda está diretamente relacionado com o próprio surgimento da forte cena e-music em Portugal. Dotado de uma carreira invejável, Diego conseguiu a tão desejada internacionalização através da produção musical com excelentes remixes e também temas originais. Nos dias de hoje, ele é um dos nomes mais reconhecidos na península ibérica. Nos eventos pelos quais já passou, destacam-se o MTV Shakedown, Creamfields, Rock in Rio, Sensation White, entre muitos outros. Em 2011 foi nomeado nos European Music Awards da MTV que lhe garantiu o passaporte para o mundo, tendo sido escolhido como um dos nomes para a famosa Tour "Ushuaia Ibiza" que correu os melhores clubes. No Brasil, sua porta de entrada foi o Green Valley que, de forma entusiasta o recebeu de braços abertos. Em termos de produção, destacam-se na sua carreira temas originais como "Tânia", "Ibiza for Dreams", "Just Fly", "Speed" e "Sunshine", temas que correram as pistas um pouco por todo o globo pelas mãos de grandes nomes da e-music mundial. Um dos seus releases mais recentes "Born Slippy" foi editado pelo selo "Kosmos" na compilação Pacha 2013. Diego Miranda é um dos poucos nomes que evoluíu seu setup para 100% digital acompanhando assim a evolução natural tecnológica no Djing.
Acompanhe agora a entrevista exclusiva de Diego Miranda para o Cultura de DJ.
ENTREVISTA
CDJ - Diego, contas já com uma vasta carreira como Dj. Diz-nos como tudo começou e quais as tuas motivações iniciais.
DM - Acredito que o meu destino já estava traçado! Ser dj, não foi aquela profissão que sempre ambicionei desde criança, mas as coisas foram acontecendo naturalmente e, quando dei por mim, já estava a exercer esta atividade. O primeiro contato que tive com a música de dança, foi através de um grande profissional e amigo Michael Ângelo, quando tinha 15 anos. Logo aí, apaixonei-me pela música e pela técnica que ele usava, mas como não podia abdicar dos estudos, acabei por tirar um curso profissional de pós produção de áudio e só depois me pude dedicar a 100% a esta profissão.
CDJ - Ao longo do teu trajeto, quais foram os estilos musicais que mais te marcaram?
DM - Não posso dizer que um estilo me tivesse marcado mais que outro, a mim o que me marca é o público ou um certo evento e não propriamente o estilo que estou a tocar na altura. Como sabes, comecei no techno e depois passei para o house, mas sempre com a preocupação de satisfazer o máximo de pessoas na pista. Tenho boas recordações da altura do techno como do house, mas para mim, tudo é música e, desde que sinta a alegria e felicidade do público, não importa o estilo.
CDJ - Como caracterizas o panorama atual da e-music e quais os estilos que consideras que serão predominantes a nível mundial nos próximos anos?
DM - Atualmente, não considero que exista um estilo predominante, mas acho que o house veio para ficar e dele surgiram várias fusões com outros estilos. Penso que o futuro passa um pouco por aí. A internet tornou-se um mundo e, por isso, os gostos e pesquisas aumentasse muito, permitindo que o mercado da dance scene se diversifica-se mais e crescesse. Há gostos para tudo e por isso também espaço para todos, o que é positivo. Há que saber estar sempre atualizado sobre as novas tendências e tentar adaptá-las ao seu próprio estilo, pelo menos é o que tento sempre fazer e tem resultado.
CDJ - És neste momento um dos poucos Dj's Portugueses que assume um setup totalmente voltado para o digital djing. Fala-nos sobre essa escolha e qual o diferencial que encontras, quando comparado com os setups mais tradicionais.
Pessoalmente, o que mais me dá gozo é tocar com pratos e sentir o vinyl. O próprio som soa diferente, a agulha é o microfone e o som é mais quente. No entanto, acho que devemos acompanhar a natural evolução das coisas e a música não foge á regra. Toco com o Traktor e gosto de tocar com o laptop para visualizar bem a wave da música. Geralmente uma música minha, toca sempre acompanhada de dois loops que meto no 3º e 4º deck, sejam eles, loops de percussão ou de efeitos, como subidas com ventos, impactos ou então acapellas. O Traktor para mim, é uma ferramenta essencial para se fazer um “set” mais criativo e dinâmico onde eu posso criar momentos, como subidas e explosões muito facilmente. Além do mais, permite-me ter os meus 8 hot cues todos marcados, o que dá muito jeito.
É muito mais prático tocar com a pen drive, mas no meu estilo de música, que é mais comercial, tenho vozes e muitas melodias e as misturas só ficam bem se forem misturadas no “BeatMix”, para quem não sabe o que é o beatmix aqui explico - é a última parte de uma música, quando saem todos os elementos melódicos e, em que a música passa a ter apenas a parte rítmica da track. Nós produtores fazemos sempre essa parte da música para ser misturada com a música seguinte num set e, assim obter a mix perfeita.
Já me aconteceu ter de tocar com pen e senti-me muito limitado, quer a nível de efeitos, onde no Traktor tenho triplas combinações que levam uma pista ao delírio, quer a nível de querer acrescentar loops e vozes. Com os cds também podes criar loops e acrescentar vozes, mas aí vais ter de te concentrar mais e, por isso ficas muito preso a estes pequenos pormenores (até para o simples facto de encontrares as músicas que queres tocar), ainda mais para mim, que não levo sets pré-concebidos. Consoante está o “crowd”, eu toco por intuição e tento ir ao encontro do que eles querem ouvir também (não deixando de impor o meu estilo sempre) e, nem sequer tens tempo de olhar e de te importar com o mais importante e que está mesmo á tua frente, o “público”! Foi o que eu senti e dai a minha preferência.
DIEGO MIRANDA @ USHUAIA TOUR - BRASIL
CDJ - Neste momento já passaste pelas cabines de grandes clubes mundiais. Qual a aceitação dos produtores e de outros DJ's face ao teu setup 100% digital?
DM - Por incrível que pareça, eu era daqueles djs que não queria largar os pratos por nada e criticava quem tocava com cds e músicas sacadas da net e etc... Depois tive de me render aos cds, porque queria passar promos que me davam e que não tinha outra forma de as tocar, senão fosse nos cds.
Mais tarde em Ibiza, fui ouvir o Richie Hawtin e o Dubfire e vi-os a mixarem com a Xone 4d e o Traktor em modo Sync... fiquei louco ao ver 4 músicas a encaixarem umas nas outras e ainda poderem disparar a música por 8 clips pela mesa, eles faziam quase um live act com a mesa... cheguei ao hotel e fui logo à net a um site de produtos electrónicos e mandei vir uma mesa igual. Desde aí, rendi-me ao digital por completo.
Luciano, Dubfire, Richie Hawtin, Deaudmau5, os portugueses Dj Vibe e Mastiksoul e muitos outros djs todos tocam 100% digital. Para mim, esse é o futuro e temos de o saber acompanhar. Quem me conhece bem, desde o tempo em que passava techno, viu-me com certeza em muitas festas a misturar com 3 pratos em simultâneo, mas hoje em dia, ser bom a misturar, já não é uma mais valia..., ainda para mais no comercial. Logo, temos de saber contornar a situação e dar o melhor ao nosso público e lhes proporcionar bons momentos. Essa, deve ser a nossa principal função, além de ir ao encontro deles, tentar educar um pouco o público, mostrando música nova e dessa forma, abrir-lhes os horizontes. Não sou daqueles que dizem que um dj deve ser um “entertainer” e que o que deve fazer é saber divertir o público... acho que também o devemos ser, mas o quanto baste! A música para mim é o mais importante o resto, vem depois por acréscimo.
CDJ - Usas o Traktor da Native Instruments como software nas tuas apresentações. O que te levou a escolher este programa face a outros disponíveis no mercado?
DM - Na minha opinião, tanto o Traktor como Serato são muito bons, por exemplo, eu na mesa Pionner DDJ-T1 toco com Traktor mas já na mesa Pionner DDJ-SX toco com o novo Serato. O novo Serato e esta nova mesa, para além de ter 64 clips de sampler que podes disparar 8x2 touch pads, tem 2 novos efeitos para se controlar também nos pads (o roll e o slicer). É brutal, aconselho a verem vídeos no youtube.
Já para não falar dos decks rotativos já com anti-estática igual ao dos pratos com vinyl, quando tocas na roda, parece que estás a tocar num prato Technics, a próxima edição dos novos cdjs nexus também já vão usufruir desta nova tecnologia.
CDJ - O controlador que usas é o Pioneer DDJ -T1. O que encontraste neste equipamento que tenha sido decisivo na tua escolha?
DM - Como referi na questão anterior, uso o controlador Pionner DDJ-T1 e também uso o Pionner DDJ-SX, para complementar qualquer um dos dois, uso sempre o Pionner RMX 1000. Assim sou feliz.
CDJ - Pretendes fazer algum upgrade no teu setup em breve?
DM - Á medida que forem saindo coisas novas estou sempre em cima e se for algo que seja uma mais valia para o meu dj set vou adquirir com toda a certeza.
CDJ - Existe uma enorme polémica e diversidade de opiniões no que respeita à função "Sync" nos softwares de Djing. Qual a tua opinião acerca desta funcionalidade?
DM - É verdade, quanto a isso as opiniões dividem-se muito. Mas a meu ver, para aqueles que já são djs há muitos anos e não têm nada a provar a ninguém, acho muito bem que usem o sync. Agora, eu já estive em muitos clubs, a ouvir djs a tocar com sync e a misturarem fora de tempo, alguns em contra tempo e muitos outros a trincar... eu quando misturava em sync na mesa xone 4d, passei duas semanas a fazer grid em cinco mil músicas... chegou a uma altura em que senti falta de ter o contato com a mão no disco (lol) e quando saíu a mesa DDJ-T1, adorei o fato de poder tocar com o controlador em sync ou não, mas a maior vantagem com esta nova mesa, foi que mesmo tocando em sync, não precisas de fazer grid das músicas, como antes, se a música fugir, dás um toque para a frente e acertas como se fosse um disco ou um cdj.
Eu acho que o sync é importante e vale a pena usar, quando misturas com as músicas que tocas vários loops de outras músicas ao mesmo tempo, aí ganhas tempo para te preocupares com outras coisas importantes, como já referi. Na minha opinião, a evolução é isso mesmo! Passas a outro nível, deixas de te preocupar com o fato da música poder estar a fugir e apenas te preocupas com o som que está a sair e como estão a soar as músicas todas juntas a tocar.
Vou te dar um exemplo... lembro-me bem quando estava a tocar e o que sentia por dentro, quando levantava a pista do terceiro prato e ouvia as três músicas a bater certinho, a cortar os graves das três e alterná-los, sentia-me orgulhoso por dentro, por estar a cometer tal proeza. Mas o público que está na pista, nem sempre se apercebe, só está a sentir a música que sai. Eu, com a minha Xone 4d, quando tocava em sync fazia uma mix, punha uma das músicas em loop e depois misturava a terceira música e ficavam a tocar as três em cima certinhas e, eu não sentia nada, não era a mesma coisa. Mas para o público que apenas ouve a música na pista, não notava diferença, como já disse.
DIEGO MIRANDA FEAT. STEPHENIE COKER - CAN'T SAY GOODBYE
CDJ - Temos visto nos últimos anos vários temas produzidos por ti se destacarem no mercado. Quais as tuas prioridades neste momento: o djing ou a produção?
DM - Enquanto puder, vou sempre tentar conciliar as duas funções. Na minha opinião, uma complementa a outra. Depois de passares horas em estúdio a trabalhar, não há nada melhor mesmo, que ver e sentir o feedback do público ao vivo em relação ao tema que produziste. E, quando passas um tema teu e vês o público ter uma boa reação, é uma sensação indescritível. Por outro lado, é muito difícil viveres só da produção, infelizmente. A não ser que tenhas só hits mundiais e para além disso, envolve muito investimento. Estão sempre a sair máquinas, softwares novos e tens de estar sempre a investir para estares atualizado e conseguires fazer uma melhor produção e com mais qualidade, aí dependes um pouco do djing que te permite fazer esses investimentos. Mas adoro as duas áreas e sinto-me um privilegiado por isso, por poder fazer aquilo que mais gosto.
CDJ - Fala-nos um pouco sobre os teus projetos atuais e futuros. O que podemos esperar do Diego Miranda?
DM - Estou-me a preparar para lançar o meu álbum só de originais onde podem contar com várias vozes nacionais e internacionais de renome, como o mestre do reggae Gramps Morgan, a prestigiada cantora Tara Mcdonald (que já editou vários temas com David Guetta), a participação da grande cantora alemã Stephenie Coker e a portuguesa Ana Free. Também conto com a participação de duas cantoras brasileiras de prestigio Mc D’Queen e Ester Campos , bem como uma coprodução com o brilhante produtor brasileiro Antonio Eudi. Existem outras surpresas mas que para já não posso revelar muito mais. Entretanto, continuo a produzir e vão saindo outros temas meus de batidas mais duras para um público mais especifico, fiquem atentos ao meu site ou à minha página de Facebook.
O futuro também passa pelo desejo de uma maior internacionalização e maior reconhecimento a nível da produção. Sinto-me lisonjeado por já tocar nos melhores clubs do mundo como, o “Green Valley” no Brasil (eleito melhor club do mundo 2013, pela DJMAG) ou o “Ushuaia” em Ibiza, mas pretendo ir a muitos mais. Já tenho uma agenda super preenchida, mas quero continuar a trabalhar e chegar cada vez mais longe. Também nunca pensei chegar onde cheguei em Portugal, se isso foi possível, porque não o mundo? Sonhar é poder e o céu é o limite. Queria também agradecer a todos os meus fãs porque sem eles, nada seria possível.
CDJ - Quais os conselhos que deixas aos nossos leitores que estão a iniciar carreira neste momento?
DM - Sonhar é poder e o céu é o limite... Continuem a trabalhar naquilo que acreditam porque mais tarde ou mais cedo "The best is yet to come".
O CULTURA DE DJ agradece a Diego Miranda pela disponibilidade em nos conceder esta entrevista.
Quando falamos em música eletrônica no Ceará, Rodrigo Lobbão é um nome que de imediato salta à vista. Dotado de uma técnica e cultura musical acima da média, Rodrigo é um profissional respeitado no mercado e conta com uma carreira que já ultrapassa 15 anos. Lobbão foi um dos fundadores do primeiro núcleo de música eletrônica de Fortaleza: o "Undergroove", sendo filiado ao coletivo "Pragatecno". Citado no famoso livro "Todo o Dj já Sambou", produziu programas de rádio tais como: Under Festa e Groove Station ambos na Maxi Rádio e Zona Eletrônica na Cidade FM, sendo também o nome por trás de inúmeras festas, raves e projetos que marcaram o arranque da cultura da e-music no Ceará. As suas maiores referências incidem no Techno e no House, mesmo que por vezes possa introduzir outras vertentes em seus set's de forma a oferecer ao público sons dinâmicos e tecnicamente apurados.
Em sua carreira foram vários os espaços que o acolheram quer como residente, quer como Dj convidado um pouco por todo o Brasil. Destaque para eventos em Salvador (BA), Manaus (AM), Recife (PE), Teresina (PI), Belém (PA), João Pessoa (PB), Natal (RN), Maceió (AL), Brasília (DF), São Paulo (SP) e como é natural várias cidades no Ceará onde reside desde 1995.
Conheça um pouco mais sobre este excelente profissional!
ENTREVISTA
CDJ - Rodrigo, és Dj já há vários anos. Quais as tuas motivações no início da carreira?
RL - Minhas motivações iniciais começaram dentro de casa. Meu pai sempre foi uma bom audiófilo, sempre gostou de equipamentos modulados para reproduzir com fidelidade seus artistas e bandas preferidos. Desde do inicio da década de 80 já havia em casa, uma par de toca-discos, um mixer (Tonos IC-3, que ele possui até hoje, um clássico!), tape decks, pré-amplificadores, etc. uma inspiração para qualquer DJ! Logo após, já na adolescência em Brasília, curtia e ia muito em matinés, escutava programas de radio mixados pelos DJs da cidade e fazia festinhas na casa de amigos. Fiz um curso de discotecagem e a história toda começou.
CDJ - Fala um pouco sobre a tua evolução em termos de estilos musicais ao longo dos anos.
RL - Não sei se é evolução musical, ou mudanças plausíveis dentro de sua caminhada com a música, que acontece não só com DJs, mas com músicos e bandas. Passei por muitos estilos, adoro batidas quebradas, breakbeat, mas continuo fiel ao 4x4. Alguns estilos continuam e serão sendo influências eternas para o meu trabalho: Disco, Jazz, Funk 70's, Synth Pop, Bandas Eletrônicas da década de 80, House de Chicago, Garage NY, Techno de Detroit, Tech-House Inglês, por ai vai...
CDJ - Em termos técnico, como foi a progressão no teu setup desde que começaste até aos dias de hoje (vinil, cdj, software, dvs, controladores,etc)?
RL - Acho que o normal de quase todos os DJs oriundos da década de 80 ou 90. Usei por muito tempo o vinil, e logo em seguida os cd's. Com certa resistência, pois não queria mudar, aderi à tecnologia muito pela evolução dos aparelhos que foram se aperfeiçoando, e migrei em 2007 para o digital e CPU. Começei com o Serato e um ano depois o Traktor. E hoje, dependendo do lugar tendo um par de cdj 2000, levo apenas pendrive ou HD externo. Mas acreditem, eu continuo comprando alguns discos (vinil) por mês.
CDJ - Hoje em dia temos uma oferta incrível no mercado no que concerne a software para Dj's, qual o software que usas neste momento e quais os diferenciais ou funcionalidades que ajudaram na tua escolha?
RL - Uso para discotecagem o Traktor. Hoje não existe se o software x ou y é melhor, mas para mim, o Traktor atendente demais minhas necessidades. Atualmente e ao meu ver, a escolha da plataforma não vai fazer você virar uma mega DJ da noite para o dia. Mas escolhi o Traktor, tanto a nível de possibilidades de como tocar (com ou sem controladora, com ou sem timecode), quanto a nível de criatividade e criação. Gosto muito do Serato também e o Ableton acho perfeito, para produção ou Live.
CDJ - Acreditas que os controladores midi são a evolução natural nas cabines de Dj?
RL- Pode ser, como disse anteriormente, vai de cada um. As controladoras te dão uma dimensão de criatividade absurda, juntamente com o software.
CDJ - Sob o ponto de vista profissional e técnico, acreditas mais no reconhecimemto dos controladores "all-in-one" (placa de áudio integrada) ou controladores modulares?
RL - Já tive maior resistência com essas controladoras all in one. Mas a cada dia vejo mais e mais profissionais passando para esse formato, que seria há alguns anos atrás classificado como algo amador ou inicial. Eu particularmente prefiro modular, pois posso escolher como vou tocar em determinado setup em um club ou festa. Mas não nego que para quem trabalha com eventos fechados, casamentos ou aniversários, essas controladoras são uma mão na roda, extremamente práticas e diretas.
CDJ - Sentes na noite algum tipo de rivalidade entre profissionais que usam software e controladores e Dj's que usam setups tradicionais (toca discos, cdjs, mixer analógico)?
RL - Aqui no Brasil, não vi isso ainda, pode até existir, mas não tão declarado como era há 15 anos atrás com a polémica anterior, vinil vs. cd. Mas lá fora, na Europa, existe ainda uma contradição em cima disso. Existe um grupo forte de pessoas em alguns países, principalmente na Alemanha, que defendem o uso do vinil ou mesmo cd, pois alegam que o cpu na frente de uma cabine, tira o contato visual do DJ com o publico. Como se o profissional ali só estivesse interessado em olhar a "wave" da track. Tem um blog sarcástico que ironiza isso... Outra critica que fazem é o uso do sync ou warp, bem polémico. Vejo da seguinte forma: você gosta de carro automático ou com marcha? Automático? Ok, mas precisa aprender a passar a marcha ou câmbio primeiro. O uso do sync facilita muito o processo criativo da mixagem, mas o profissional ou artista precisa entender e educar os ouvidos para usar também o pitch de uma mk2 ou CDJ. Como já falei anteriormente, com pitch ou sync, com vinil ou timecode, quem faz o artista é o feeling, talento, bagagem, carisma, boas produções musicais que adquire no decorrer de sua carreira.
CDJ - Sabemos que o Ceará ainda está longe de ter uma cultura de e-music bem explorada e diversificada. O que achas que tem prejudicado ou atrasado essa evolução quando um pouco por todo o Brasil a música eletrônica já possui raízes fortes e onde todos os estilos têm públicos fiéis?
RL - Para ser sincero só vejo alicerces no Brasil no Sul e Sudeste, e parte do Centro-Oeste do Brasil. Fato, não podemos comparar nada com São Paulo! Megalópole que mesmo com a dificuldade que tem atualmente, consegue manter variados cenários e publico fiél. Aqui, como em toda região do norte e nordeste, mesmo com todo crescimento que houve de há 20 anos para cá, ainda falta muito. E isso não está inserido somente na parte cultural da cidade, mas também em problemas sócio - econômicos. Em cima disso, o Márcio Motor, responsável pelo conteúdo cenaceara.dj fala uma verdade em uma entrevista para o blog deepbeep: "Um estereótipo que gostaria de ressaltar é que somos a capital da festa. O principal destino turístico brasileiro da ultima década. E isso acontece numa cidade “adolescente”, culturalmente falando. Muito pujante, mas com identidade em plena construção. É por isso que Fortaleza ainda é bem mainstream: festival de vários dias de Pop Rock, super micaretas, grandes shows populares…" Enquanto tivermos uma "monogamia" cultural, não falo só do forró mas tudo que o povo adora colocar na moda (e se não for isso não presta), não teremos um crescimento diversificado e fiél a nada. Somente ao hype, à moda, ao TOP. E como dizia Public Enemy, "Don't Believe the Hype".
CDJ - Fala um pouco sobre os teus projetos atuais e o que podemos esperar no futuro do Rodrigo Lobbão.
RL - Atuais, tenho em mente alguns projetos e parcerias em produção musical e criação de pequenas festas conceituais e pontuais.
CDJ - Qual o teu conselho para os leitores que estão começando agora suas carreiras?
RL - Amor e dedicação mesmo, igual a qualquer profissão. Respeite o mercado, pois há pessoas que vivem disso e não estão somente para tirar onda entre amigos e garotas em redes sociais. É claro, estude, escute muita coisa (não tenha um (pré)conceito antes de escutar algo) pratique, tenha personalidade, produza e se for o caso, faça suas festas. O caminho quando entramos é bem difícil, até para aparecer, mas com humildade e talento, dificilmente você ficará esquecido.
RODRIGO LOBBÃO NO SOUNDCLOUD
O CULTURA DE DJ agradece a habitual simpatia e humildade a Rodrigo Lobbão por esta entrevista.