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ENTREVISTA: Kult of Krameria (Portugal)

Posted by pop On 10:00 AM


KULT OF KRAMERIA
Se o nome "Kult of Krameria" lhe diz algo então você sabe da importância da expressão artística envolvida. Se por outro lado o nome do projeto não lhe é familiar, sugiro que busque, estude e eduque seus ouvidos e conheça o som deste projeto de origem Portuguesa que marcou definitivamente a Cena da Música Eletrônica desde os anos 90 em Portugal e no Mundo. Falar de Kult of Krameria é para muitos fazer uma viagem ao passado onde sensações inacreditáveis eram vividas nas pistas de dança, onde emoções e sentimentos diversos se manifestavam a cada minuto e, onde o público saía no final de cada festa com a sensação de que uma história havia sido contada com elementos que remetiam às bases e raízes da música eletrônica mais ricas. O projeto Kult of Krameria surge na cidade de Lisboa em 1993 envolvido em um crescente movimento underground que se fazia sentir em Portugal. O projeto pode ser classificado como "live performance" onde os elementos criados em estúdio se misturam com elementos improvisados na cabine, resultando em uma experiência única para o público. Depois de duas décadas nas pistas, vários temas se tornaram destaque como: Love & Happiness, Voodoo Drums, The Profecy, Esperança e mais recentemente Break my Bone e Whatchout. Os trabalhos dos Kult of Krameria foram editados por editoras como a Twisted America, Nervous Records, Stereo Productions, Younan Music, Kult Records, Beatfreak e Fatal Music. O seu som viaja entre os elementos étnicos com batidas fortes mescladas com referências urbanas e underground. O "Drama" nas suas músicas é também algo constante e que garante a inclusão dos seus temas nas playlists dos maiores nomes do Djing mundial. Defensores ativos de música criada com coração e alma, o som dos Kult of Krameria cativa várias gerações. Confira a seguir a entrevista exclusiva dos Kult of Krameria para o Cultura de Dj.




ENTREVISTA
CDJ - Os Kult of Krameria surgem no ano de 1993 quando Portugal e toda a Europa passava por uma fase extremamente vibrante no movimento "underground". Quais foram as vossas motivações iniciais ao criar este projeto?
KK - Na altura, éramos apenas 3 amigos que queriam fazer música. Vivia-se em Portugal uma fase muito positiva relativamente à música eletrônica e, em Lisboa especialmente, existia uma vibe muito grande que depois se espalhou pelo país. Tudo era novo e diferente, havia uma contra cultura que se tornara um movimento dominante e isso era espetacular. Não só a música, mas as artes visuais, a dança, tudo se conjugava e foi aí que nós nascemos. Queríamos fazer parte disso, queríamos fazer discos, tocar ao vivo, estar nas grandes festas, ser reconhecidos pelo nosso trabalho e acabamos por o conseguir, felizmente.

CDJ - "Love & Happiness" e "Voodoo Drums" foram dois dos temas mais míticos do projeto e que se espalharam rapidamente pelas pistas um pouco por todo o mundo. Esse destaque do projeto foi algo esperado por vocês na altura?
KK - Tivemos mais tarde, em 2005, também o tema o "Esperança" em que colaboramos com o Danny Tenaglia e o Onehundredpercent, que saiu na Stereo e tiveram muito boa visibilidade. Love & Happiness e Voodoo Drums, eram temas que tinham a ver com essa procura constante da novidade, e foram apresentados á pista de dança numa altura boa para nós. Love & Happiness, tinha uma produção complicada na altura, penso mesmo que foi o tema mais complicado que produzimos naquela época, havia um bass line sempre presente, mas por cima dele caiam várias "paterns" rítmicas com uma intensidade crescente e sequências melódicas que se completavam. Tudo terminava no êxtase de um momento, com uma mensagem. Era bom ver as pessoas a darem as mãos na pista e a levantarem-nas no ar. O Voodoo Drums, era e é ainda hoje uma track de "Pure Madness", abrasiva, demolidora, envolvente. Dava ao Dj o poder de incendiar a pista em qualquer momento e reflete um pouco a nossa maneira de trabalhar ainda hoje. Não queremos fazer temas que os outros já fizeram, nem andar por caminhos já explorados, sempre foi assim desde o inicio e continua. Existe neste projeto, essa procura de fugir dos lugares onde os outros estão. Se esperávamos por esse destaque na altura? Um produtor nunca espera um hit, ele acontece por um efeito "bola de neve", que é difícil prever na música eletrônica, mesmo hoje. De uma coisa temos a certeza, o trabalho na altura foi feito de forma crescente e, para que o projeto se tornasse conhecido rapidamente, foram muitas e longas noites de trabalho, nos primeiros anos. Fazíamos música todas as noites até de manhã, foi por isso que construímos uma cadência de edições muito rápida e isso levou ao reconhecimento.



CDJ - Sem dúvida que a década de 90 foi mítica não apenas para o House como para vocês enquanto projeto de música eletrônica. O que mudou nas pistas em termos global dessa época para os dias de hoje?
KK - O que mudou foi o público e o acesso à informação. Saímos de uma situação de procura constante pela novidade e por novas experiências, para uma situação em que tudo está acessível e à distancia de um click, juntamente com a mudança geracional que entretanto aconteceu. Aparentemente, os novos "party goers" sentem-se mais à vontade a cantar refrões pop e a dançar músicas que já conhecem da rádio ou de que viram o vídeo no youtube ou na MTV. É uma questão geracional, não interessa tentar compreender porque o fazem ou porque preferem tirar fotografias a sorrir e a mostrar como são felizes, em vez de dançar e usufruir da experiência de ter um dj a criar um set para eles, único, à medida, para os fazer dançar e divertirem-se. Interessa apenas saber que as massas se moveram para outros quadrantes e, tentar arranjar forma de as ir buscar novamente ou arranjar novos públicos para as substituir e manter o groove.

CDJ - Como avaliam e classificam a música eletrônica que se produz na atualidade?
KK - Mais diversificada, menos criativa, mais evoluída tecnicamente, acessível e relativamente fácil de produzir.

CDJ - Muitos dizem que os temas dos Kult of Krameria são "impossíveis" de enquadrar num estilo definido dentro da House Music. Onde vocês enquadrariam o som que produzem em termos de estilo musical?
KK - Nós também não conseguimos, nem queremos. Uma das bases vivas do projeto é fazer sempre coisas novas e diferentes. Dou-te um exemplo: tivemos algum sucesso com o Voodoo Drums, mas não vamos passar a vida a fazer músicas iguais a essa, há sempre uma necessidade de procurar coisas novas. Hoje em dia, penso que o estilo que praticamos, está dentro da grande família de estilos a que chamam de Tech House. Também gostamos de algum Techno e de House e Deep House, mas temos feito muitas coisas diferentes. É essa uma das mais valias do projeto, estar à vontade em muitos estilos para os poder trabalhar livremente, isso cria um portfólio diversificado e vai buscar pessoas a muitos lados para a base de seguidores.


CDJ - Sem dúvida que um dos destaques dos vossos temas é a forte presença de percussão e elementos dramáticos e algo futuristas. Qual o tipo de influências que procuram quando estão a produzir?
KK - Sim, os Drums com Drama, sempre foi uma das principais características do nosso som. A pista tem que ser um espaço de experiência e não de tirar fotos. Por isso, o drama é muito importante na produção, as pessoas têm que ter sensações, que as levem para lá da sua zona de conforto, só assim faz sentido. Dançar na discoteca ou na rave, no momento em que as luzes vão abaixo e em que se ouvem os gritos, em que sai o drama, o medo, os arrepios, a insanidade. Depois disso, vem a explosão e solta-se a energia do público. Aí os Drums são imbatíveis para os fazer mexer e soltarem-se. Fazer levantar os braços hoje é fácil e socialmente aceitável, quase todos os dj's baseiam nisso as suas atuações, mas, nós pretendemos que as pessoas tenham outras sensações, para lá da libertação. No final da noite, o prazer da viagem e a cultura, deve ser o que prevalece nas suas cabeças antes do merecido sono.

CDJ - Quando se apresentam ao vivo como Dj's qual o setup que usam na cabine?
KK - Hoje em dia já não levamos aquelas máquinas todas para o palco quando vamos tocar. Usamos 2 ou 3 setups diferentes, baseados na plataforma Traktor da Native Instruments. O primeiro e mais antigo, usava 2 computadores com o Traktor e que se ia ligando externamente na mistura, que é feita por 2 controladores, o Kontrol S4 e o Maschine, mapeado para controlar o Traktor também. Hoje em dia, usamos mais um setup em que apenas funciona um computador e os 2 decks e os 2 remix decks estão acessíveis aos 2 controladores através de um mapping muito complexo e que demorou algumas semanas a fazer, mas permite live sessions de drums, congas, vozes etc. Temos um 3º setup em que ligamos o Traktor e o Ableton Live, mas que ainda estamos a desenvolver o mapping e a forma de trabalho, ou seja, ele já faz o básico que é o que a maior parte do pessoal que usa faz, e mais algumas coisas que entretanto inventamos, mas ainda não faz exatamente aquilo que nós queremos, e como o queremos.

CDJ - Qual a vossa opinião sobre a plataforma Digital, os Controlares Midi e o Software de Djing?
KK - É uma evolução natural, penso que é uma discussão que não faz sentido. Se existem novas ferramentas de trabalho são para usar, quem não as usa fica para trás. Hoje, grande parte da discussão nas redes sociais, gira á volta do uso do Sync e de que no tempo do vinil é que era bom. O software é evoluído e excelente e os controladores permitem fazer muito mais coisas do que passar a noite a acertar batidas. Trabalha-se mais rápido e se tiveres uma boa técnica de "layering", souberes fazer o trabalho de casa, consegues compor em tempo real e passar um bom bocado com os teus fãs. A experiência é muito melhor para o ouvinte se for bem feita claro. Ok, existe aquela nostalgia de tocar com os Technics, e eu tenho 2 em casa que adoro e uso de vez em quando, mas isso é típico da nossa geração que é muito nostálgica, a nova geração não quer saber disso e quem está na pista agora é a nova geração.



CDJ - Hoje em dia existe uma crescente corrente de profissionais que busca incessantemente ressuscitar o bom som que era escutado na década de 90 e inícios de 2000 e que mantinha as tribos urbanas na pista não apenas pelo elemento musical mas também pela qualidade e ambiente criado pelo Dj. Vocês acreditam que é possível voltar atrás e resgatar essa vibe?
KK - Nós acreditamos e é por isso que ainda cá andamos a trabalhar para isso, mas está difícil, porque existe muita coisa, muita informação, muita diversidade e o público dispersa-se, fragmenta-se, desaparece de um dia para o outro. A mudança tem que ser na nossa opinião de fundo, voltar a criar os clubes com a boa vibe, onde o Dj residente seja responsável, se esforçe para trazer esse som ao espaço e não encare a sua profissão como um tempo de aprendizagem para dar o salto para se tornar um dj freelancer famoso ou usar o espaço como moeda de troca para os seus gig's no exterior. Depois, tem que haver uma transversalidade nos grupos de interesse, as diversas tribos fecharam-se e trabalham só para si, não admitem estranhos, mesmo que o que eles tragam seja diferente do que têm. Os sistemas geram poucos recursos e quanto menos pessoas existirem no negócio melhor. Por último, tem que haver investimento e aí a coisa complica-se, as editoras têm que alimentar essa vibe, e nesses 4 ou 5 clubes por cidade, é preciso criar um circuito que as pessoas frequentem e garantam que por eles lá estarem, mais virão para dançar e propagar a onda e os empresários têm que querer participar nisso.

CDJ - Como vocês avaliam no presente a tarefa enquanto agente cultural do Dj nos clubes? Os profissionais ainda conseguem elementos para cultivar e educar o público?
KK - O grande problema foi que a música passou a ser acessória, em vez de ser a razão pela qual as pessoas frequentam o clube. Ao fazer-se isso contrataram-se Dj's mais baratos ou promoveram-se os aprendizes, que passam músicas "para a casa" ou seja para os bares funcionarem e se manterem até mais tarde. Já não existe a preocupação em educar o público. Essa função, salvo raras excepções aparece nos Dj's Freelancers, que se dedicam a essa atividade e onde quase já nem ganham dinheiro. Divulgam a música e a cultura, têm uma base fiel de seguidores, continuam a alimentar a vibe. Aqui e ali, aparecem bons projetos, clubes com uma boa programação que cativam tribos, fazem boas festas e criam uma "hype" para a festa seguinte, mas são projetos limitados porque se fecham nos seus ciclos, não renovam o seu DNA musical. Tocam sempre os mesmos Dj's residentes, de vez em quando mandam vir um estrangeiro ou 2 para chamar público, mas na verdade num ano se vais a 8 ou 10 festas dessas, vais ver os residentes 8 ou 10 vezes e isso se calhar não é assim tão interessante nem tão inovador. Acresce que os Dj's são normalmente os donos ou sócios das promotoras e por isso tendem a salvaguardar o seu "income" mensal.

CDJ - Quais os vossos projetos atuais?
KK - Os nossos projetos passam por continuar a produzir e tocar para o público sempre que possível. Tivemos até à primavera mais fechados no estúdio, mas isso deu frutos no verão com muitas edições em labels conhecidas mundialmente, e agora estamos a terminar uma série de temas novos e algumas remixes para essas mesmas labels. Sempre que podemos ajudamos editoras mais pequenas e das quais gostamos do som, com edições ou remixes.




CDJ - O que podemos esperar dos Kult of Krameria no futuro?
KK - Estamos cá para lutar pelo futuro da música eletrônica e no essencial para continuar a alimentar a base de fãs dos KK, que querem continuar a ouvir a música como nós a fazemos e a ver-nos tocar ao vivo. Não vale a pena fazer hoje planos para grandes coisas, há 20 anos que existimos e nunca planeamos grande coisa, fomos andando e saboreando cada momento, mas olhando para trás vemos que foi um percurso interessante, existe um caminho e uma história e isso é o mais importante. 

CDJ - Qual o conselho que podem deixar aos nossos leitores que estão iniciando suas carreiras agora para poderem vencer como Dj's?
KK - O conselho normal que toda a gente dá: não copiar ninguém, criar o seu próprio estilo, insistir, insistir, treinar muito, lutar pelo lugar onde se espera estar amanhã e começar rapidamente a produzir. O Dj ou produtor terá mais valor se conseguir fazer coisas que os outros ainda não fazem, ser diferente, manter-se original e acima de tudo nunca defraudar os seus seguidores, pois sem eles, o Dj/produtor não existe. Acho que devemos imaginar este mundo como uma parede com várias janelas pequenas, a abrir e a fechar constantemente. De vez em quando abre-se uma e toda a gente quer entrar por ela rapidamente, mas ela pode não ser a janela indicada. É na percepção da janela certa que pode estar a chave do vosso sucesso. Implica estar atento ao meio, tentar perceber como funciona o negócio da musica eletrônica e depois criar e projetar o vosso nome, a vossa marca nesse espaço. Pelo meio vai aparecer muita gente que não tem o talento para criar música ou meter pessoas a dançar, que se vai querer aproveitar do vosso trabalho, nessa altura temos que saber saltar fora.

O Cultura de Dj agradece aos Kult of Krameria pela disponibilidade, sinceridade nas suas resposta e pelo apoio ao nosso projeto. Desejamos que o projeto continue criando e re-inventando a música eletrônica e desejamos a eles todo o sucesso do Mundo.

KULT OF KRAMERIA

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ENTREVISTA: Diego Miranda (Portugal)

Posted by pop On 11:06 AM

Dj Diego Miranda

DIEGO MIRANDA
O nome de Diego Miranda está diretamente relacionado com o próprio surgimento da forte cena e-music em Portugal. Dotado de uma carreira invejável, Diego conseguiu a tão desejada internacionalização através da produção musical com excelentes remixes e também temas originais. Nos dias de hoje, ele é um dos nomes mais reconhecidos na península ibérica. Nos eventos pelos quais já passou, destacam-se o MTV Shakedown, Creamfields, Rock in Rio, Sensation White, entre muitos outros. Em 2011 foi nomeado nos European Music Awards da MTV que lhe garantiu o passaporte para o mundo, tendo sido escolhido como um dos nomes para a famosa Tour "Ushuaia Ibiza" que correu os melhores clubes. No Brasil, sua porta de entrada foi o Green Valley que, de forma entusiasta o recebeu de braços abertos. Em termos de produção, destacam-se na sua carreira temas originais como "Tânia", "Ibiza for Dreams", "Just Fly", "Speed" e "Sunshine", temas que correram as pistas um pouco por todo o globo pelas mãos de grandes nomes da e-music mundial. Um dos seus releases mais recentes "Born Slippy" foi editado pelo selo "Kosmos" na compilação Pacha 2013. Diego Miranda é um dos poucos nomes que evoluíu seu setup para 100% digital acompanhando assim a evolução natural tecnológica no Djing.

Acompanhe agora a entrevista exclusiva de Diego Miranda para o Cultura de DJ.



ENTREVISTA

CDJ - Diego, contas já com uma vasta carreira como Dj. Diz-nos como tudo começou e quais as tuas motivações iniciais.
DM - Acredito que o meu destino já estava traçado! Ser dj, não foi aquela profissão que sempre ambicionei desde criança, mas as coisas foram acontecendo naturalmente e, quando dei por mim, já estava a exercer esta atividade. O primeiro contato que tive com a música de dança, foi através de um grande profissional e amigo Michael Ângelo, quando tinha 15 anos. Logo aí, apaixonei-me pela música e pela técnica que ele usava, mas como não podia abdicar dos estudos, acabei por tirar um curso profissional de pós produção de áudio e só depois me pude dedicar a 100% a esta profissão.

CDJ - Ao longo do teu trajeto, quais foram os estilos musicais que mais te marcaram?
DM - Não posso dizer que um estilo me tivesse marcado mais que outro, a mim o que me marca é o público ou um certo evento e não propriamente o estilo que estou a tocar na altura. Como sabes, comecei no techno e depois passei para o house, mas sempre com a preocupação de satisfazer o máximo de pessoas na pista. Tenho boas recordações da altura do techno como do house, mas para mim, tudo é música e, desde que sinta a alegria e felicidade do público, não importa o estilo.

CDJ - Como caracterizas o panorama atual da e-music e quais os estilos que consideras que serão predominantes a nível mundial nos próximos anos?
DM - Atualmente, não considero que exista um estilo predominante, mas acho que o house veio para ficar e dele surgiram várias fusões com outros estilos. Penso que o futuro passa um pouco por aí. A internet tornou-se um mundo e, por isso, os gostos e pesquisas aumentasse muito, permitindo que o mercado da dance scene se diversifica-se mais e crescesse. Há gostos para tudo e por isso também espaço para todos, o que é positivo. Há que saber estar sempre atualizado sobre as novas tendências e tentar adaptá-las ao seu próprio estilo, pelo menos é o que tento sempre fazer e tem resultado.

CDJ - És neste momento um dos poucos Dj's Portugueses que assume um setup totalmente voltado para o digital djing. Fala-nos sobre essa escolha e qual o diferencial que encontras, quando comparado com os setups mais tradicionais.
Pessoalmente, o que mais me dá gozo é tocar com pratos e sentir o vinyl. O próprio som soa diferente, a agulha é o microfone e o som é mais quente. No entanto, acho que devemos acompanhar a natural evolução das coisas e a música não foge á regra. Toco com o Traktor e gosto de tocar com o laptop para visualizar bem a wave da música. Geralmente uma música minha, toca sempre acompanhada de dois loops que meto no 3º e 4º deck, sejam eles, loops de percussão ou de efeitos, como subidas com ventos, impactos ou então acapellas. O Traktor para mim, é uma ferramenta essencial para se fazer um “set” mais criativo e dinâmico onde eu posso criar momentos, como subidas e explosões muito facilmente. Além do mais, permite-me ter os meus 8 hot cues todos marcados, o que dá muito jeito.

É muito mais prático tocar com a pen drive, mas no meu estilo de música, que é mais comercial, tenho vozes e muitas melodias e as misturas só ficam bem se forem misturadas no “BeatMix”, para quem não sabe o que é o beatmix aqui explico - é a última parte de uma música, quando saem todos os elementos melódicos e, em que a música passa a ter apenas a parte rítmica da track. Nós produtores fazemos sempre essa parte da música para ser misturada com a música seguinte num set e, assim obter a mix perfeita.

Já me aconteceu ter de tocar com pen e senti-me muito limitado, quer a nível de efeitos, onde no Traktor tenho triplas combinações que levam uma pista ao delírio, quer a nível de querer acrescentar loops e vozes. Com os cds também podes criar loops e acrescentar vozes, mas aí vais ter de te concentrar mais e, por isso ficas muito preso a estes pequenos pormenores (até para o simples facto de encontrares as músicas que queres tocar), ainda mais para mim, que não levo sets pré-concebidos. Consoante está o “crowd”, eu toco por intuição e tento ir ao encontro do que eles querem ouvir também (não deixando de impor o meu estilo sempre) e, nem sequer tens tempo de olhar e de te importar com o mais importante e que está mesmo á tua frente, o “público”! Foi o que eu senti e dai a minha preferência.

DIEGO MIRANDA @ USHUAIA TOUR - BRASIL

CDJ - Neste momento já passaste pelas cabines de grandes clubes mundiais. Qual a aceitação dos produtores e de outros DJ's face ao teu setup 100% digital?
DM - Por incrível que pareça, eu era daqueles djs que não queria largar os pratos por nada e criticava quem tocava com cds e músicas sacadas da net e etc... Depois tive de me render aos cds, porque queria passar promos que me davam e que não tinha outra forma de as tocar, senão fosse nos cds.

Mais tarde em Ibiza, fui ouvir o Richie Hawtin e o Dubfire e vi-os a mixarem com a Xone 4d e o Traktor em modo Sync... fiquei louco ao ver 4 músicas a encaixarem umas nas outras e ainda poderem disparar a música por 8 clips pela mesa, eles faziam quase um live act com a mesa... cheguei ao hotel e fui logo à net a um site de produtos electrónicos e mandei vir uma mesa igual. Desde aí, rendi-me ao digital por completo.

Luciano, Dubfire, Richie Hawtin, Deaudmau5, os portugueses Dj Vibe e Mastiksoul e muitos outros djs todos tocam 100% digital. Para mim, esse é o futuro e temos de o saber acompanhar. Quem me conhece bem, desde o tempo em que passava techno, viu-me com certeza em muitas festas a misturar com 3 pratos em simultâneo, mas hoje em dia, ser bom a misturar, já não é uma mais valia..., ainda para mais no comercial. Logo, temos de saber contornar a situação e dar o melhor ao nosso público e lhes proporcionar bons momentos. Essa, deve ser a nossa principal função, além de ir ao encontro deles, tentar educar um pouco o público, mostrando música nova e dessa forma, abrir-lhes os horizontes. Não sou daqueles que dizem que um dj deve ser um “entertainer” e que o que deve fazer é saber divertir o público... acho que também o devemos ser, mas o quanto baste! A música para mim é o mais importante o resto, vem depois por acréscimo.

CDJ - Usas o Traktor da Native Instruments como software nas tuas apresentações. O que te levou a escolher este programa face a outros disponíveis no mercado?
DM - Na minha opinião, tanto o Traktor como Serato são muito bons, por exemplo, eu na mesa Pionner DDJ-T1 toco com Traktor mas já na mesa Pionner DDJ-SX toco com o novo Serato. O novo Serato e esta nova mesa, para além de ter 64 clips de sampler que podes disparar 8x2 touch pads, tem 2 novos efeitos para se controlar também nos pads (o roll e o slicer). É brutal, aconselho a verem vídeos no youtube.
Já para não falar dos decks rotativos já com anti-estática igual ao dos pratos com vinyl, quando tocas na roda, parece que estás a tocar num prato Technics, a próxima edição dos novos cdjs nexus também já vão usufruir desta nova tecnologia.

Dj Diego Miranda

CDJ - O controlador que usas é o Pioneer DDJ -T1. O que encontraste neste equipamento que tenha sido decisivo na tua escolha?
DM - Como referi na questão anterior, uso o controlador Pionner DDJ-T1 e também uso o Pionner DDJ-SX, para complementar qualquer um dos dois, uso sempre o Pionner RMX 1000. Assim sou feliz.

CDJ - Pretendes fazer algum upgrade no teu setup em breve?
DM - Á medida que forem saindo coisas novas estou sempre em cima e se for algo que seja uma mais valia para o meu dj set vou adquirir com toda a certeza.

CDJ - Existe uma enorme polémica e diversidade de opiniões no que respeita à função "Sync" nos softwares de Djing. Qual a tua opinião acerca desta funcionalidade?
DM - É verdade, quanto a isso as opiniões dividem-se muito. Mas a meu ver, para aqueles que já são djs há muitos anos e não têm nada a provar a ninguém, acho muito bem que usem o sync. Agora, eu já estive em muitos clubs, a ouvir djs a tocar com sync e a misturarem fora de tempo, alguns em contra tempo e muitos outros a trincar... eu quando misturava em sync na mesa xone 4d, passei duas semanas a fazer grid em cinco mil músicas... chegou a uma altura em que senti falta de ter o contato com a mão no disco (lol) e quando saíu a mesa DDJ-T1, adorei o fato de poder tocar com o controlador em sync ou não, mas a maior vantagem com esta nova mesa, foi que mesmo tocando em sync, não precisas de fazer grid das músicas, como antes, se a música fugir, dás um toque para a frente e acertas como se fosse um disco ou um cdj.

Eu acho que o sync é importante e vale a pena usar, quando misturas com as músicas que tocas vários loops de outras músicas ao mesmo tempo, aí ganhas tempo para te preocupares com outras coisas importantes, como já referi. Na minha opinião, a evolução é isso mesmo! Passas a outro nível, deixas de te preocupar com o fato da música poder estar a fugir e apenas te preocupas com o som que está a sair e como estão a soar as músicas todas juntas a tocar.

Vou te dar um exemplo... lembro-me bem quando estava a tocar e o que sentia por dentro, quando levantava a pista do terceiro prato e ouvia as três músicas a bater certinho, a cortar os graves das três e alterná-los, sentia-me orgulhoso por dentro, por estar a cometer tal proeza. Mas o público que está na pista, nem sempre se apercebe, só está a sentir a música que sai. Eu, com a minha Xone 4d, quando tocava em sync fazia uma mix, punha uma das músicas em loop e depois misturava a terceira música e ficavam a tocar as três em cima certinhas e, eu não sentia nada, não era a mesma coisa. Mas para o público que apenas ouve a música na pista, não notava diferença, como já disse.

DIEGO MIRANDA FEAT. STEPHENIE COKER - CAN'T SAY GOODBYE

CDJ - Temos visto nos últimos anos vários temas produzidos por ti se destacarem no mercado. Quais as tuas prioridades neste momento: o djing ou a produção?
DM - Enquanto puder, vou sempre tentar conciliar as duas funções. Na minha opinião, uma complementa a outra. Depois de passares horas em estúdio a trabalhar, não há nada melhor mesmo, que ver e sentir o feedback do público ao vivo em relação ao tema que produziste. E, quando passas um tema teu e vês o público ter uma boa reação, é uma sensação indescritível. Por outro lado, é muito difícil viveres só da produção, infelizmente. A não ser que tenhas só hits mundiais e para além disso, envolve muito investimento. Estão sempre a sair máquinas, softwares novos e tens de estar sempre a investir para estares atualizado e conseguires fazer uma melhor produção e com mais qualidade, aí dependes um pouco do djing que te permite fazer esses investimentos. Mas adoro as duas áreas e sinto-me um privilegiado por isso, por poder fazer aquilo que mais gosto.

CDJ - Fala-nos um pouco sobre os teus projetos atuais e futuros. O que podemos esperar do Diego Miranda?
DM - Estou-me a preparar para lançar o meu álbum só de originais onde podem contar com várias vozes nacionais e internacionais de renome, como o mestre do reggae Gramps Morgan, a prestigiada cantora Tara Mcdonald (que já editou vários temas com David Guetta), a participação da grande cantora alemã Stephenie Coker e a portuguesa Ana Free. Também conto com a participação de duas cantoras brasileiras de prestigio Mc D’Queen e Ester Campos , bem como uma coprodução com o brilhante produtor brasileiro Antonio Eudi. Existem outras surpresas mas que para já não posso revelar muito mais. Entretanto, continuo a produzir e vão saindo outros temas meus de batidas mais duras para um público mais especifico, fiquem atentos ao meu site ou à minha página de Facebook.

O futuro também passa pelo desejo de uma maior internacionalização e maior reconhecimento a nível da produção. Sinto-me lisonjeado por já tocar nos melhores clubs do mundo como, o “Green Valley” no Brasil (eleito melhor club do mundo 2013, pela DJMAG) ou o “Ushuaia” em Ibiza,  mas pretendo ir a muitos mais. Já tenho uma agenda super preenchida, mas quero continuar a trabalhar e chegar cada vez mais longe. Também nunca pensei chegar onde cheguei em Portugal, se isso foi possível, porque não o mundo? Sonhar é poder e o céu é o limite. Queria também agradecer a todos os meus fãs porque sem eles, nada seria possível.

CDJ - Quais os conselhos que deixas aos nossos leitores que estão a iniciar carreira neste momento?
DM - Sonhar é poder e o céu é o limite... Continuem a trabalhar naquilo que acreditam porque mais tarde ou mais cedo "The best is yet to come".



O CULTURA DE DJ agradece a Diego Miranda pela disponibilidade em nos conceder esta entrevista.

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