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ENTREVISTA: Rodrigo Lobbão (Brasil)

Posted by LUIS ALVES On 9:00 AM

Rodrigo Lobbão

RODRIGO LOBBÃO
Quando falamos em música eletrônica no Ceará, Rodrigo Lobbão é um nome que de imediato salta à vista. Dotado de uma técnica e cultura musical acima da média, Rodrigo é um profissional respeitado no mercado e conta com uma carreira que já ultrapassa 15 anos. Lobbão foi um dos fundadores do primeiro núcleo de música eletrônica de Fortaleza: o "Undergroove", sendo filiado ao coletivo "Pragatecno". Citado no famoso livro "Todo o Dj já Sambou", produziu programas de rádio tais como: Under Festa e Groove Station ambos na Maxi Rádio e Zona Eletrônica na Cidade FM, sendo também o nome por trás de inúmeras festas, raves e projetos que marcaram o arranque da cultura da e-music no Ceará. As suas maiores referências incidem no Techno e no House, mesmo que por vezes possa introduzir outras vertentes em seus set's de forma a oferecer ao público sons dinâmicos e tecnicamente apurados.

Em sua carreira foram vários os espaços que o acolheram quer como residente, quer como Dj convidado um pouco por todo o Brasil. Destaque para eventos em Salvador (BA), Manaus (AM), Recife (PE), Teresina (PI), Belém (PA), João Pessoa (PB), Natal (RN), Maceió (AL), Brasília (DF), São Paulo (SP) e como é natural várias cidades no Ceará onde reside desde 1995.

Conheça um pouco mais sobre este excelente profissional!

Rodrigo Lobbão


ENTREVISTA

CDJ - Rodrigo, és Dj já há vários anos. Quais as tuas motivações no início da carreira?
RL - Minhas motivações iniciais começaram dentro de casa. Meu pai sempre foi uma bom audiófilo, sempre gostou de equipamentos modulados para reproduzir com fidelidade seus artistas e bandas preferidos. Desde do inicio da década de 80 já havia em casa, uma par de toca-discos, um mixer (Tonos IC-3, que ele possui até hoje, um clássico!), tape decks, pré-amplificadores, etc. uma inspiração para qualquer DJ! Logo após, já na adolescência em Brasília, curtia e ia muito em matinés, escutava programas de radio mixados pelos DJs da cidade e fazia festinhas na casa de amigos. Fiz um curso de discotecagem e a história toda começou.

CDJ - Fala um pouco sobre a tua evolução em termos de estilos musicais ao longo dos anos.
RL - Não sei se é evolução musical, ou mudanças plausíveis dentro de sua caminhada com a música, que acontece não só com DJs, mas com músicos e bandas. Passei por muitos estilos, adoro batidas quebradas, breakbeat, mas continuo fiel ao 4x4. Alguns estilos continuam e serão sendo influências eternas para o meu trabalho: Disco, Jazz, Funk 70's, Synth Pop, Bandas Eletrônicas da década de 80, House de Chicago, Garage NY, Techno de Detroit, Tech-House Inglês, por ai vai...

CDJ - Em termos técnico, como foi a progressão no teu setup desde que começaste até aos dias de hoje (vinil, cdj, software, dvs, controladores,etc)?
RL - Acho que o normal de quase todos os DJs oriundos da década de 80 ou 90. Usei por muito tempo o vinil, e logo em seguida os cd's. Com certa resistência, pois não queria mudar, aderi à tecnologia muito pela evolução dos aparelhos que foram se aperfeiçoando, e migrei em 2007 para o digital e CPU. Começei com o Serato e um ano depois o Traktor. E hoje, dependendo do lugar tendo um par de cdj 2000, levo apenas pendrive ou HD externo. Mas acreditem, eu continuo comprando alguns discos (vinil) por mês.

CDJ - Hoje em dia temos uma oferta incrível no mercado no que concerne a software para Dj's, qual o software que usas neste momento e quais os diferenciais ou funcionalidades que ajudaram na tua escolha?
RL - Uso para discotecagem o Traktor. Hoje não existe se o software x ou y é melhor, mas para mim, o Traktor atendente demais minhas necessidades. Atualmente e ao meu ver, a escolha da plataforma não vai fazer você virar uma mega DJ da noite para o dia. Mas escolhi o Traktor, tanto a nível de possibilidades de como tocar (com ou sem controladora, com ou sem timecode), quanto a nível de criatividade e criação. Gosto muito do Serato também e o Ableton acho perfeito, para produção ou Live.

CDJ - Acreditas que os controladores midi são a evolução natural nas cabines de Dj?
RL- Pode ser, como disse anteriormente, vai de cada um. As controladoras te dão uma dimensão de criatividade absurda, juntamente com o software.

Rodrigo Lobbão

CDJ - Sob o ponto de vista profissional e técnico, acreditas mais no reconhecimemto dos controladores "all-in-one" (placa de áudio integrada) ou controladores modulares?
RL - Já tive maior resistência com essas controladoras all in one. Mas a cada dia vejo mais e mais profissionais passando para esse formato, que seria há alguns anos atrás classificado como algo amador ou inicial. Eu particularmente prefiro modular, pois posso escolher como vou tocar em determinado setup em um club ou festa. Mas não nego que para quem trabalha com eventos fechados, casamentos ou aniversários, essas controladoras são uma mão na roda, extremamente práticas e diretas.

CDJ - Sentes na noite algum tipo de rivalidade entre profissionais que usam software e controladores e Dj's que usam setups tradicionais (toca discos, cdjs, mixer analógico)?
RL - Aqui no Brasil, não vi isso ainda, pode até existir, mas não tão declarado como era há 15 anos atrás com a polémica anterior, vinil vs. cd. Mas lá fora, na Europa, existe ainda uma contradição em cima disso. Existe um grupo forte de pessoas em alguns países, principalmente na Alemanha, que defendem o uso do vinil ou mesmo cd, pois alegam que o cpu na frente de uma cabine, tira o contato visual do DJ com o publico. Como se o profissional ali só estivesse interessado em olhar a "wave" da track. Tem um blog sarcástico que ironiza isso... Outra critica que fazem é o uso do sync ou warp, bem polémico. Vejo da seguinte forma: você gosta de carro automático ou com marcha? Automático? Ok, mas precisa aprender a passar a marcha ou câmbio primeiro. O uso do sync facilita muito o processo criativo da mixagem, mas o profissional ou artista precisa entender e educar os ouvidos para usar também o pitch de uma mk2 ou CDJ. Como já falei anteriormente, com pitch ou sync, com vinil ou timecode, quem faz o artista é o feeling, talento, bagagem, carisma, boas produções musicais que adquire no decorrer de sua carreira.

CDJ - Sabemos que o Ceará ainda está longe de ter uma cultura de e-music bem explorada e diversificada. O que achas que tem prejudicado ou atrasado essa evolução quando um pouco por todo o Brasil a música eletrônica já possui raízes fortes e onde todos os estilos têm públicos fiéis?
RL - Para ser sincero só vejo alicerces no Brasil no Sul e Sudeste, e parte do Centro-Oeste do Brasil. Fato, não podemos comparar nada com São Paulo! Megalópole que mesmo com a dificuldade que tem atualmente, consegue manter variados cenários e publico fiél. Aqui, como em toda região do norte e nordeste, mesmo com todo crescimento que houve de há 20 anos para cá, ainda falta muito. E isso não está inserido somente na parte cultural da cidade, mas também em problemas sócio - econômicos.  Em cima disso, o Márcio Motor, responsável pelo conteúdo cenaceara.dj fala uma verdade em uma entrevista para o blog deepbeep: "Um estereótipo que gostaria de ressaltar é que somos a capital da festa. O principal destino turístico brasileiro da ultima década. E isso acontece numa cidade “adolescente”, culturalmente falando. Muito pujante, mas com identidade em plena construção. É por isso que Fortaleza ainda é bem mainstream: festival de vários dias de Pop Rock, super micaretas, grandes shows populares…" Enquanto tivermos uma "monogamia" cultural, não falo só do forró mas tudo que o povo adora colocar na moda (e se não for isso não presta), não teremos um crescimento diversificado e fiél a nada. Somente ao hype, à moda, ao TOP. E como dizia Public Enemy, "Don't Believe the Hype".

CDJ - Fala um pouco sobre os teus projetos atuais e o que podemos esperar no futuro do Rodrigo Lobbão.
RL - Atuais, tenho em mente alguns projetos e parcerias em produção musical e criação de pequenas festas conceituais e pontuais.

CDJ - Qual o teu conselho para os leitores que estão começando agora suas carreiras?
RL - Amor e dedicação mesmo, igual a qualquer profissão. Respeite o mercado, pois há pessoas que vivem disso e não estão somente para tirar onda entre amigos e garotas em redes sociais. É claro, estude, escute muita coisa (não tenha um (pré)conceito antes de escutar algo) pratique, tenha personalidade, produza e se for o caso, faça suas festas. O caminho quando entramos é bem difícil, até para aparecer, mas com humildade e talento, dificilmente você ficará esquecido.


RODRIGO LOBBÃO NO SOUNDCLOUD




O CULTURA DE DJ agradece a habitual simpatia e humildade a Rodrigo Lobbão por esta entrevista.

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